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Liberada, insulina inalável pode ajudar pacientes no tratamento do diabetes

A insulina injetável demora até 60 minutos para começar a fazer efeito e permanece ativa por até 5 horas

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A recente liberação da insulina inalável, medicamento autorizado
para venda e consumo pela Agência Nacional de vigilância Sanitária (Anvisa) em
oito formas de apresentação, ainda precisa ser importado dos Estados Unidos.

Para o médico e pesquisador Freddy Goldberg Eliaschewitz, a
disponibilidade do medicamento pode ajudar no tratamento da doença no Brasil,
pois é mais confortável do que a aplicação da insulina por injeção e o manejo é
mais eficiente. A insulina inalável começa a funcionar em 10 minutos no organismo
e o efeito dura até 90 minutos.

A insulina injetável pode demorar até 60 minutos para começar a
fazer efeito e permanece ativa por até cinco horas no organismo. “Por um lado,
se o paciente aplica a insulina injetável antes do almoço e o medicamento demora
a agir, o nível de açúcar sobe muito no início da refeição. Muitas vezes, a
comida foi ingerida, mas a insulina nem começou a agir. Por outro lado, se o
efeito da insulina demora a passar, o paciente pode sofrer uma queda de açúcar
mais adiante. A absorção dos alimentos já terminou, mas a insulina continua
agindo”, explica Eliaschewitz que é médico Hospital Israelita Albert
Einstein e diretor clinico do Centro de Pesquisas Clínicas que desde 2014
trabalhou nos testes para o desenvolvimento da nova droga.

O diabetes é considerado uma doença crônica onde o pâncreas não
produz insulina suficiente ou quando o organismo do paciente não consegue
utilizá-la. A insulina é o hormônio que regula a glicose no sangue.

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Fora de controle

Eliaschewitz descreve que já há cerca de 15 milhões de pessoas
com diabetes no Brasil, mas 90% dos pacientes com o tipo 1 e 73% dos que sofrem
com o tipo 2 “não têm controle sobre a doença”. Ele contabiliza que “metade dos
pacientes não controla a doença por falta de conhecimento do diagnóstico.
Entre os que sabem do diabetes, metade não vai com regularidade ao médico. E
mesmo os que vão, mais da metade não toma os devidos cuidados”.

Segundo o Ministério da Saúde, o diabetes do tipo 1, geralmente,
surge na infância ou adolescência. “A causa desse tipo de diabetes ainda é
desconhecida (…) Sabe-se que, via de regra, é uma doença crônica não
transmissível genética, ou seja, é hereditária, que concentra entre 5% e 10% do
total de diabéticos no Brasil”.

O diabetes do tipo 2 é mais frequente em adultos e está
diretamente relacionado ao sobrepeso, ao sedentarismo e à má alimentação.
“Ocorre quando o corpo não aproveita adequadamente a insulina produzida”,
explica o Ministério da Saúde.

Para Freddy Eliaschewitz, o Brasil vive uma “pandemia de diabete
do tipo 2 a reboque da pandemia de obesidade”. Segundo ele, o país poderá viver
no futuro uma pandemia das complicações causadas pela doença, “que são penosas
e custosas de tratar”, como o glaucoma, problema nos rins e disfunção
erétil.

De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade
(Ministério da Saúde), entre 2010 e 2016, mais de 406 mil pessoas morreram por
causa do diabetes. No período, o número de mortes cresceu 11,8% por causa da
doença, saindo de 54.877 mortes (2010) para 61.398 (2016).

Cesar Colleti

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