Chuva deixa mais de 170 mil desabrigados na América do Sul: é pouco diante dos quase 3 milhões de refugiados de guerras na Europa mas é sinal de um novo estilo de êxodo.O êxodo de nordestinos no Brasil por causa da seca já não tem o mesmo fluxo, embora a crise hídrica e crônica não tenha sido resolvida ainda, porém, o que vem aumentando ultimamente são os desabrigados devido a desastres socioambientais (como foi o de Mariana em Minas) ou agora os desequilíbrios do clima, nesta virada de ano e chegada do verão. E este novo fenômeno social e climático não é só em nosso país, também nos Estados Unidos e no Reino Unido, mas nestes dias de final de 2015 e começo de 2016, enfocamos aqui no Flash da Ecologia a América do Sul. Tinha ocorrido o rompimento da barragem em Mariana (MG) que desestabilizou a população e a natureza de Minas e do Espírito Santos, o Rio Doce e o litoral capixaba, desabrigando muita gente numa macrorregião de 2 milhões de pessoas. Agora, a forte chuva que atinge quatro países sul-americanos provocou enchentes em diversas localidades e regiões, deixando mais de 170 mil pessoas desabrigadas na computação feira até esta segunda-feira. A maior parte das vítimas está no Paraguai, onde cerca de 130 mil pessoas até agora tiveram que ser alojadas em abrigos improvisados pelas autoridades locais. O Rio Paraguai, um dos maiores da América do Sul, subiu 7,7 metros, atingindo o nível mais alto dos últimos 20 anos. Quatro pessoas morreram. Depois de decretar estado de emergência, o presidente Horácio Cartez anunciou que US$ 3,5 milhões serão destinados para auxiliar os desabrigados. Na Argentina e no Uruguai, 20 mil pessoas tiveram suas casas destruídas, sendo 15 mil somente em cinco províncias do noroeste argentino, como Entre Rios, Corrientes e Chaco. Duas pessoas morreram na região e as vítimas podem aumentar até a virada do ano. No Uruguai quase 7 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas nesta semana. A chuva também assolou o estado do Rio Grande do Sul. De acordo com a Defesa Civil gaúcha, chega a 40 o número de municípios atingidos pelas tempestades. O número de famílias que tiveram que deixar suas casas passou para 2.204, o que levou a Presidente Dilma Rousseff sobrevoar a região que faz fronteira com a Argentina e o Uruguai, anunciando então a liberação de R$ 6,6 milhões para recuperar estradas e estruturas, socorrer vítimas, uma ação a curto prazo. “É fundamental uma gestão socioambiental e climática do nosso país e dos países do nosso continente porque esta tendência poderá fazer aumentar este problema nos próximos anos na América do Sul”, comentou aqui no blog o repórter e ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha ao editar estas informações, que ele considera como um sinal de alerta. Hoje a situação do sul do país está menos desequilibrada, com chuvas menos intensas, mas há ainda cidades debaixo d’água, como Uruguaiana e Guaraí, no Rio Grande do Sul; cerca de 40 cidades sofreram mais com enchentes e milhares de pessoas estão desabrigadas, ainda não foi informado pelas autoridades um número de vítimas. A enchente é a quinta e a pior deste ano na região. A cheia do Rio Quaraí já atingiu o recorde de 15,28 metros. A situação se agravou com a elevação do nível do Rio Uruguai. A forte chuva provocou a interrupção da colheita de arroz em Quaraí, sinalizando que haverá também a seguir dificuldades econômicas nesta situação. As chuvas intensas demais levaram à interdição, por 22 horas, da Ponte Internacional da Concórdia, entre o Brasil e o Uruguai, por Quaraí e Artigas. Mais um sinal do tempo…

Mais de 170 mil desabrigados na América do Sul podem se tornar refugiados do clima




