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Juiz francano do TRE diz que nas eleições 2016 foco será em Caixa 2 e laranjas

André Jorge acredita que o veto à prática fará o temido Caixa 2 crescer já neste ano

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André Guilherme Lemos Jorge, desembargador do TRE (Foto Arquivo JF)

O francano André Guilherme Lemos Jorge, logo após ter assumido vaga como Juiz do Tribunal Regional Eleitoral – TRE-SP – já teve uma atuação que ganhou destaque pelo fato de ter sido escolhido e rejeitar as contas da campanha de 2014 do Governador eleito do Estado, Geraldo Alckmin.

Advogado de carreira e filho de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado – William Wanderley Jorge -, André Jorge como é conhecido integra o corpo de sete desembargadores do Tribunal Regional Eleitoral responsável por identificar ilegalidades nas campanhas deste ano em todo o Estado. 

No último sábado, André Jorge deveria estar em Franca, palestrando sobre a nova legislação eleitoral na Câmara de Vereadores mas teve que adiar esta sua primeira visita oficial à sua terra na condição de desembargador do TRE. 

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O Juiz não veio porque nesta segunda-feira (15) precisava se preparar para a posse do novo presidente do TRE, juiz Mário Deviene Ferraz. Ele foi convocado para ser o orador da cerimônia. Além disso, André Jorge toma posse como diretor-executivo da Escola Eleitoral Paulista, também nesta segunda-feira. 

Antes de vir a Franca, porém, André Jorge mostra, de forma clara, sua opinião sobre a proibição a doações empresariais nas eleições deste ano para as prefeituras e câmaras. Ele acredita que o veto à prática fará o temido Caixa 2 crescer já neste ano. 

Neste ano, pela primeira vez políticos não poderão receber doações de empresas e contarão apenas com recursos do Fundo Partidário e de doações de pessoas físicas. Veja as opiniões de André Jorge: 

Caixa 2

Quem está acostumado a fazer campanha com muito recurso vai ter dificuldade e provavelmene detectaremos aumento do caixa dois, isso é inegável. Até hoje, cerca de 90% das doações vinham de empresas. 

Hoje o País não tem estrutura para coibir o caixa dois, não vamos matá-lo de uma hora para outra. Mas a cada operação ilícita que conseguirmos finalizar vamos tirar um candidato que atua assim.

Fiscalização

O fim da doação empresarial dificulta a fiscalização. Os Tribunais Regionais Eleitorais têm sete desembargadores – o número pode sersuficiente em Estados pequenos, como o Rio Grande do Norte, mas não em São Paulo, onde provemos 100 mil candidaturas em 2016. Se cada um receber um recurso de cada candidato, terá que julgar de 15 mil a 20 mil recursos num prazo curtíssimo.

Imagine uma cidade de 100 mil habitantes. Como um promotor e um juiz poderão fazer a fiscalização sozinhos? Nesse sentido veio o movimento de entidades como a OAB, que criarão subseções para receber as denúncias da popualção para serem encaminhadas ao Ministério Público. 

Laranjas

A maioria das pessoas físicas nunca doou. Você vai ter que mudar a cultura no momento em que o País vive uma crise. Alguém vai sair de casa, com o bolso apertado, para doar para uma campanha? Ainda mais para político, que não é visto como muito confiável?

Muitos preveem que o Brasil vai virar um laranjal, com o surgimento de CPFs. Vamos trabalhar de maneira muito rígida e coibir fortemente a criação de “laranjas”. 

Radical

Talvez a proibição de doações empresariais tenha sido um caminho muito radical nesse primeiro momento, mas sinaliza uma mudança a longo prazo. Teria sido mais cauteloso fazer a reforma gradativamente, mas o Brasil precisa de um choque cultural. Pode ser a única via de retomada do caminho democrático.

Lava Jato

Grandes doadores estão pensando no que farão. A opção hoje é a do ilícito, mas eles veem que estão presos donos de empresas e políticos. Quem não perceber que os métodos terão que ser outros será preso hoje ou daqui a dez anos.

Talvez o grande legado da operação Lava Jato seja a mudança do financiamento de campanha. A roda da corrupção girar a partir da eleição – é na campanha que politicos se comprometem com doadores, daí surgem superfaturamento, direcionamento de licitações. O sujeito que recebeu a doação, sobretudo a de caixa dois, tem compromisso para o futuro.

Transparência

Um deputado pode receber dinheiro de um fabricante de armas e, se isso estiver na prestação de contas da campanha, saberemos que ele defende o armamento. É uma campanha mais às claras. Agora, se todas as doações empresariais estiverem no campo ilícito, o deputado vai continuar tendo o interesse, só que a população não saberá – vai ficar mais desinformada sobre em quem vota.

Uma solução seria estabelecer um teto por CNPJ ou por grupo econômico. Essa reforma foi feita porque as doações estão concentradas em um grupo de empresas. Alguns doaram centenas de milhões de reais e com isso têm muita força nas casas legislativas. 

Vigilância

É o momento de convocar a população para que seja fiscal voluntário da Justiça Eleitoral. Quem tomar conhecimento de doação de qualquer empresa deve fotografar, gravar, levar o fato ao Juiz. Quer mudar o País? Ajude a fiscalizar o caixa dois. Vamos precisar de um exército de fiscais. 

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região