Queijos, salames e linguiças produzidos de forma artesanal ganharam passe livre para a mesa do consumidor, sem qualquer garantia de que tenham sido submetidos a um processo de fiscalização sanitária, expondo as pessoas ao risco de contaminação com doenças graves. É o que denunciam auditores fiscais agropecuários federais e o Instituto Proteste, após entrar em vigor a nova lei dos produtos artesanais (Lei 13.680), no último dia 15 de junho. Para evitar a permanência do “limbo” legal, o Ministério da Agricultura corre para preparar uma regra de transição.
“Nenhuma legislação hoje define o que é o produto artesanal. O regramento estava sendo feito pelo Ministério da Agricultura, mas agora tudo foi atropelado. Há um vácuo legislativo. A lei foi publicada sem regulamentação, deixando os produtos artesanais sem nenhum tipo de fiscalização até que outro regramento seja elaborado. Isso pode demorar muito, pois há o tempo necessário para que os novos órgãos responsáveis se preparem para começar a fiscalizar e, enquanto isso, o consumidor fica totalmente exposto”, alerta a auditora fiscal agropecuária Mayara Souza Pinto.
Retrocesso
A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) diz que “não aprova” a lei 13.680 e que entende que a medida “prejudicará os consumidores”, além de evidenciar “um retrocesso higiênico-sanitário que abre portas para os comércios clandestinos”.




