
A vitória apertada do prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), na votação do relatório da Comissão Processante, que se aprovado resultaria em sua cassação, foi apenas um round da luta que ele tem que travar diariamente para se eximir de responsabilidades no caso das fraudes e irregularidades no contrato da Prefeitura de Franca com o ICV – Instituto Ciências da Vida.
Os processos fora da seara política seguem seu rumo normal, sem previsão de desfecho, mas com algumas provas incontestáveis de que houve sérias e graves irregularidades.
Alexandre venceu no campo político, de forma aperta, por 9 votos a favor e seis contra a sua cassação, mas no campo policial e civil público ele ainda é investigado, junto com o ICV e funcionário da saúde, como a ex-secretária Rosane Moscardini, por um inquérito policial civil e uma ação civil pública da Promotoria Estadual.
Desde o ano passado, as investigações em torno da atuação de profissionais que teriam se apropriado de registros alheios, bem como de irregularidades no contrato com o ICV geraram dois processos por parte da Promotoria: uma ação cautelar que resultou no bloqueio de novos pagamentos à empresa e uma ação civil pública que acusa representantes da Prefeitura e do ICV por improbidade administrativa.
A própria Câmara de Vereadores, através da CEI, que gerou a Comissão Processante, cujo relatório foi rejeitado ontem (28) por 9 a 6, obteve depoimentos de que a secretária Rosane Moscardini tinha conhecimento sobre a falsificação de fichas de pacientes, praticada por profissionais contratados pelo Instituto Ciências da Vida (ICV).
Na mesma comissão, a servidora Roberta da Cunha Felício Pereira, que até outubro de 2014 foi secretária do ex-diretor do pronto-socorro, Ricardo Veríssimo, afirmou ter tido acesso a prontuários médicos com carimbos de médicos diferentes, mas preenchidos com a mesma letra, supostamente do clínico geral Lavoisier de Andrade.
O médico, em depoimento à mesma CEI, afirmou que trabalhava 24 horas por dia, cinco dias por semana e sem descanso. O processo no MP e o inquérito na Polícia Civil seguem independente do que foi resolvido ontem pela Câmara.



