
Mesmo com o cenário mais favorável para o mercado externo, os fabricantes calçadistas brasileiros não estão desdenhando o lojista local. Pelo contrário. Tanto é que investimento em inovações e conforto foram feitos pelas indústrias para conquistar o mercado e garantir boas vendas não só para o produtor, mas também para os empresários varejistas.
E é a conjugação dessas duas pontas que a Zero Grau buscou facilitar. A mostra calçadista — que se encerrou na quinta-feira nos pavilhões do Serra Park, em Gramado — foi momento especial de negociação entre expositor e visitante. Alinhado ao momento atual do mercado, os mais de 300 calçadistas estão empenhados em virar a página da crise e trilhar caminhos mais positivos a partir de agora.
Ao antecipar em seis meses as tendências da moda para o outono e inverno de 2016, a mostra possibilitou possíveis ajustes e aprimoramento das coleções.
“Caso o setor fabril venha para a feira e observe que algo precisa ser alterado, ainda há tempo para que estas mudanças sejam executadas”, destaca Frederico Pletsch, diretor da Merkator, promotora da Zero Grau.
E ele está otimista com os resultados da quinta edição do evento. “A mostra foi excelente e novamente confirmou a tendência de crescente exportação. Em tempos de crise, registramos fábricas que comercializaram mais de 140 mil pares de sapatos”, comemora.
Para Pletsch, a crise atual, de um ponto de vista, foi uma adversidade positiva para o setor. Na percepção do executivo, ao contrário do que é apontado por outros segmentos, a mudança no câmbio potencializou a cadeia calçadista.
ESCOLHA
Artigos com giro rápido foram o foco de compra de Moisés Silveira, proprietário da Melmann Modas, com duas lojas em Joinville, Santa Catarina. “Buscamos produtos BBBs (bons, bonitos e baratos)”, brinca o empresário, no ramo há 22 anos. Entre os calçados que Silveira têm na sua lista de compras para a Zero Grau estão itens de qualidade. “Viemos em busca de calçados elaborados”, frisa. O lojista conta que também veio à feira para pesquisar novos fornecedores. E apesar da Zero Grau ser uma feira em que são apresentados os lançamentos para o outono-inverno 2016, muitos lojistas seguem buscando produtos de alto verão. Isso porque os fabricantes estão com produtos a pronta entrega e com valores convidativos.
PREPARO E INOVAÇÃO PARA MOMENTO ATUAL
Tem quem considere que momentos de crise precisam ser enfrentados com cautela e redução dos investimentos. Porém, para a Piccadilly, de Igrejinha, a atual situação econômica requer inovação e preparo. Ana Clara Grings, diretora comercial da calçadista, faz questão de destacar as novidades levadas pela empresa para os pavilhões do Serra Park. “Estamos lançando uma nova marca ao mercado, a Lilybi; uma nova linha de produtos especialmente desenvolvida para dança; além de modelos alinhados à moda”, cita.
“Tudo isso faz parte da estratégia da indústria, que se preparou para suprir a demanda deste novo momento do consumo interno. “Os lojistas já estão com o pé no chão, cientes da crise e entendendo a necessidade de tomar atitudes para superá-la. Isso é um ótimo sinal”, destaca. Segundo Ana Clara, a expectativa da Piccadilly é que 2016 seja um ano melhor. “O cenário está mais favorável para o mercado externo, com a alta do dólar, Mas tanto as vendas internas quanto as exportações tem o mesmo grau de importância para nós”, observa a gestora.
LOJISTA MAIS SATISFEITO
Os bons resultados que os expositores vêm tendo nesta edição da Zero Grau são fruto do grande número de pedidos feitos pelos lojistas. Conforme Dinara Ferreira, da Rebel, de Joinville, ela conseguiu encontrar tudo o que precisava para as suas três lojas, todas voltadas ao público feminino. “Acredito que todo o meu estoque para
o próximo inverno eu consiga adquirir aqui”, destaca. De Francisco Beltrão, no Paraná, o lojista Fabio Watte, da Zarif Calçados, ressalta que um fator que favorece o lojista é a facilidade na negociação dos preços dos produtos.



