Cancelamentos, atrasos, aviões sujos, poltronas trocadas, perda de bagagens, aviões antigos. Esses são alguns dos pesadelos enfrentados, diariamente, por milhares de passageiros no Brasil todos os dias. Em 2018, por exemplo, mais de 100 milhões de pessoas encararam a rotina dos aeroportos brasileiros. Só em janeiro e fevereiro deste ano, foram mais de 5.700 reclamações registradas no Portal do Consumidor contra as companhias aéreas.
As reclamações são as mais diversas. Uma delas causa inúmeros prejuízos a todos: a ineficiência. De acordo com dados da ABEAR (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), os aviões que realizam voos domésticos no Brasil levam, em média, 8% a mais de tempo para cumprir suas viagens do que o estimado pelas fabricantes das aeronaves. Para a entidade, o número é reflexo das ineficiências de infraestrutura aeroportuária e aeronáutica do país. Para o advogado Emerson Magalhães, do escritório Küster Machado Advogados, muitos compromissos previamente assumidos pelos passageiros são perdidos causando diversos transtornos. “Isso ocorre em razão da falta de organização, da desídia e prevenção por parte das companhias aéreas, gerando toda ordem de prejuízos aos consumidores que, em muitos casos, sequer sabem para quem reclamar”, comenta.
Esses atrasos decorrem das mais variadas hipóteses, que vão desde a demora em proporcionar o desembarque da viagem anterior da aeronave, a manutenção, sem a existência de um plano de contingência. “Ao programar uma viagem, o consumidor automaticamente se ajusta a esse sucateamento, pois sabe que, dificilmente, chegará ao seu destino na data e hora esperada”, diz o advogado.
Para o especialista, as cias aéreas simplesmente ignoram os horários previamente contratados pelo consumidor. “Elas agem de acordo com as suas próprias conveniências, esquecem que foi firmado um contrato de transporte que, nos termos do artigo 737 do Código Civil, estabelece que responde por perdas e danos o transportador que não respeitar os horários e itinerários previstos”, explica.




