
Você sabe o que significa cinofobia? Com certeza você já ouviu essa palavra antes, mas talvez não saiba o real significado dela. Cinofobia significa um medo irracional de cães, muitas vezes sendo definida como medo mórbido ou aversão a cães. “Esse medo não permite que a pessoa pense de forma racional e desencadeia uma série de sintomas relacionados ao estresse e ao nervosismo em função do temor absoluto que sentem dos cachorros”, explica a psicóloga Laís Guimarães de Matos.
Segundo ela, um dos principais motivos da cinofobia é não confiar em cães em geral, fazendo com que a pessoa ache que qualquer cachorro possa atacá-la ou lhe fazer algum mal. “A pessoa com cinofobia acredita que, a qualquer momento, um cão que está próximo pode lhe atacar – mesmo se tratando de um cão extremamente dócil”, reforça.
Essa falta de confiança, no entanto, não é algo que surge de maneira natural na cabeça das pessoas que sofrem este mal. Na maioria dos casos, este medo irracional é engatilhado em função de algum ataque anterior ou do conhecimento de alguém próximo que já tenha sido atacado ou mordido com agressividade por um cachorro, fazendo com que a pessoa desenvolva uma espécie de trauma que a impede de ficar próxima ou ter contato com estes animais. “Por incrível que pareça até mesmo o acompanhamento de notícias de casos de ataques de cães podem ajudar a desencadear este trauma em algumas pessoas, fazendo com que, mesmo sem nunca ter passado por uma situação de ataque por um cachorro, a pessoa adquira a cinofobia”, observa Laís, lembrando que até mesmo os próprios pais de uma pessoa podem desencadear este tipo de trauma, já que não é incomum que uma mãe temerosa acabe protegendo demais uma criança, afastando-a de um cachorro sempre que haja uma proximidade maior.
De mãe para filha
E foi justamente isso que aconteceu com a vendedora Michele Ferreira, 29 anos. Desde sua infância ela conviveu com o pavor a cães, estimulado pelo próprio medo da mãe. “Quando ela era criança, viu o irmão ser mordido por um cachorro e desde então criou uma barreira em relação ao animal, evitando que eu e meus irmãos tivéssemos contato”, conta Michele, que já passou por situações constrangedoras por conta disso. “Eu já precisei ser medicada na casa de uma amiga porque minha pressão aumentou muito depois que a cadela entrou na casa e veio para o meu lado. Eu simplesmente paralisei”, diz.
Mas são várias as consequências da cinofobia, que vão de taquicardia, boca seca, choro, suor excessivo, falta de ar, angústia extrema, paralisação do corpo e vontade de sair do local onde o cão está presente. Incomodada com a situação, a vendedora decidiu procurar ajuda ao descobrir que havia terapia para tratar a fobia. “Foi a melhor coisa que fiz. Além de conseguir entender e resolver esse medo de cães, com o tempo, além de conviver bem com eles, passei a ter o meu próprio bichinho. Hoje, sou apaixonada pelo Brad, que está comigo em todas as situações. Ele trouxe um colorido pra minha vida”, afirma.
Embora o tratamento para este tipo de trauma não tenha um período de tempo definido para funcionar e permitir que as pessoas se relacionem com os cães, as terapias podem ajudar bastante quem sofre com a cinofobia, investigando as causas e a origem exata deste medo irracional e, com isso, buscar alternativas para exterminá-lo.



