sexta-feira, 19 jun 2026 ☀ Franca/SP 15°C
DólarR$ 5,18▲ 0,0%
EuroR$ 5,98▲ 0,0%
Selic14,50%▲ 0,0%
BitcoinR$ 326 mil▲ 0,0%

Melatonina: Liberada nas farmácias, ela não é remédio, mas é essencial para o sono

Venda da melatonina em farmácias foi autorizada em 2021 pela Anvisa. Especialistas alertam que substância só deve ser usada com indicação

Compartilhar
melatonina
melatonina
A melatonina não é um remédio, mas um hormônio produzido pelo organismo – foto Freepik

 

Você já ouviu alguém falar que toma melatonina para dormir? Por vezes, ela é vista como um remédio, mas a melatonina é, na verdade, um hormônio produzido pelo nosso próprio organismo.

Em algumas situações, o que ocorre é a suplementação desse hormônio. Mas atenção: ela só deve ser tomada com orientação médica.

Outro erro quando o assunto é melatonina é classificá-la como hormônio do sono.

Continua depois da publicidade

A melatonina é o hormônio que prepara o nosso corpo para dormir. Essa produção é sempre noturna. Por isso, ela pode ser considerada um hormônio da escuridão.

“A melatonina só é produzida na ausência de estímulo luminoso. Ela informa o nosso corpo de que é noite e que o processo de dormir pode ser iniciado”, diz Sandra Doria, pesquisadora do Instituto do Sono.

José Cipolla Neto, professor de fisiologia no Instituto de Ciências Biomédicas da USP e pesquisador sobre os efeitos fisiológicos e mecanismos de ação da melatonina, explica que a substância é responsável por todas as mudanças no nosso corpo para o período de repouso.

“Ela sinaliza para o nosso sistema nervoso, portanto, o nosso organismo como um todo, que acabou o dia e começou a noite”.

“Ou seja, ela é a grande responsável por todas as mudanças fisiológicas do nosso organismo para o período diário de repouso – sono, mudanças metabólicas, cardiovasculares, respiratórias, digestoras, endócrinas e imunológicas, todas elas típicas do repouso humano”.

A melatonina teve a comercialização liberada no Brasil em 2021 pela Anvisa. Ou seja, a substância pode ser encontrada em farmácias e ser vendida sem a necessidade de prescrição médica.

De acordo com a Anvisa, ela está liberada para pessoas com idade igual ou maior que 19 anos e para o consumo máximo diário de 0,21 mg.

Especialistas reforçam que, mesmo com a venda liberada no país, a melatonina só deve ser usada com indicação médica.

E para a insônia, serve? Especialistas explicam que a melatonina pode ajudar a iniciar o sono, mas não é uma substância aprovada e indicada para a insônia.

Como estimular a melatonina do próprio organismo?

– Expor-se a luz durante o dia (solar, de preferência)
– Diminuir a intensidade da luz à noite (para ajudar na produção do hormônio)
– Evitar computador, celulares e tabletes duas horas antes de dormir

Quais os riscos de tomar melatonina sem prescrição? E em excesso?

A melatonina em excesso pode quebrar a ciclicidade que existe nas 24 horas do dia. “Se eu tomar uma dose supra-fisiológica (elevada), essa dose pode prejudicar a queda natural deste hormônio que ocorre pela manhã”, ressalta Dalva Poyares, médica especialista em Medicina do Sono.

Em altas doses e tomada sem orientação, pode causar efeitos indesejáveis, como sonolência durante o dia, tontura, dor de cabeça, náuseas. Também pode provocar pesadelos, fadiga, falta de concentração.

No Brasil, a Anvisa indica a melatonina para pessoas com idade igual ou maior que 19 anos. “Pessoas com enfermidades ou que usem medicamentos deverão consultar seu médico antes de consumir a substância”, diz a agência.

*Informações G1 Saúde