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​Momento histórico para o Brasil

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Um amigo disse que estou escrevendo textos políticos demasiadamente em minhas redes sociais. “De cada 10 textos, oito são de cunho político. Antes eram três ou quatro”, disse-me.

Antes de qualquer coisa, sou um ser social e um Zoon Politikon (Animal Político), uma expressão utilizada pelo filósofo grego Aristóteles. Sou um ser político na medida em que me realizo plenamente no âmbito da sociedade. Numa sociedade em que esta precede o indivíduo, ou seja, onde o todo deve, necessariamente, ser posto antes da parte. Para Aristóteles, um homem incapaz de “viver em sociedade” ou alheio ao Estado é um “bruto ou uma divindade”.

Por que aumentei a quantidade (e qualidade crítica) dos meus textos de caráter político? Porque estamos passando por um momento histórico no Brasil. Para mim, os tempos hoje são tão importante como o fim da ditadura ou o movimento pelas eleições diretas. A esperança de gente que já tinha desistido da política voltou. Há fios de esperanças traçando uma rede em favor de que se passe a limpo o BRASIL.

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Combate à corrupção

Ironias à parte, foi no governo de Dilma que tivemos o chamado “pacote anticorrupção”, conjunto de propostas elaboradas pelo Executivo para inibir e punir irregularidades na administração pública.

Antes da sétima fase da Operação lava Jato – estamos na 24ª edição – o combate à corrupção mirava apenas os corruptos, lado mais fraco da corda, composto geralmente por funcionários públicos ou políticos, mas a Lei nº. 12.846 que a presidente Dilma sancionou no final de 2013 novos corruptores agora estão sendo alcançados. Entende-se por novos corruptores até antes das mais recentes operações, os grandes executivos.

Mas, agora, as mais recentes investigações das operações da Lava Jato, principalmente as vigésimas terceira e quarta, a Justiça chegou até os grandes nomes da política brasileira. Inclusive, por intermédio das delações premiadas dos grandes executivos que estão sendo julgados e até presos.

Mas aí, no país ‘onde a porca torce o rabo’, a coisa desandou quando ficaram na mira a própria Dilma e agora Lula.

Ninguém está acima da Lei

Não estou festejando o que vem ocorrendo com a presidente e o ex-presidente Lula. Muito menos o pedido do Ministério Público de São Paulo pedir a prisão preventiva do ex-presidente. Lula já tem se vitimado demasiadamente – um recurso bem utilizado por ele, aliás, para torná-lo mártir – com as investigações do Lava Jato. Agora, com esse pedido um tanto quanto oportunista do MP de São Paulo coloca mais combustível para o processo de vitimização.

Não é motivo de festa, mas de uma tristeza profunda um país ter um ex-presidente preso, se isso realmente ocorrer. Isso mostra o quanto ainda não evoluímos como República.

Até que se prove o contrário. Se Lula é a alma mais honesta desse país e se ele não deve nada, que a Justiça o investigue (a fundo) essas denuncias e que ele se explique (mais e melhor).

Minha decepção com Lula (e Dilma e parte do PT).

Antes de Lula, me decepcionei também com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (e outras figuras do PSDB), do qual votei em seu primeiro mandato. As pequenas atrapalhadas de FHC no segundo mandato, aliás, o mensalão a olhos nus começou ali, na sua reeleição – e ainda tem o mensalão mineiro o Propinoduto paulista, tudo gente do PSDB. Mas o que falar da galerinha do PMDB?

Daí, mesmo com receio, acreditei nas promessas de Lula, naquela coisa que todos creram de um operário chegar à presidência. Lula surpreendeu a todos. Não se comportou com radicalismo extremo, algo inerente quando era oposição e líder sindical. Fez algumas alianças duvidosas, mas que fazem parte do jogo.

No finalzinho do primeiro mandato a máscara já começou a cair e não deu mais pra votar em você, Lula. Foi piorando com os problemas que vieram com Palocci e Zé Dirceu. “Eu não sabia”, o bordão que virou chacota, não colou, pelo contrário degolou. Nem precisa dizer que com Dilma não rolou nada. Nem um flerte de admiração por algo de bom que ela tenha feito antes de ser candidata.

Hoje Lula crítica o mercado, mas foi em seu governo que mais se beneficiou dele e dos banqueiros. Lula reclama da imprensa, mas a usou MUITO quando fazia coro ao “Fora FHC” – Impeachment FHC.

Lula não resistiu às tentações. Não foi o primeiro e não será o último. Segue o script de todos os políticos brasileiros, o de negar sempre. Lula está numa areia movediça e cada vez que se mexe vai afundando a sua histórica política.

Justiça seja feita

Reclamamos muito de que a Justiça é falha, que não resolve nada. Agora que temos grandes executivos, deputados, senadores, presidente e ex-presidente sendo investigados, uma pequena parte da população esquece o real significado do SER POLÍTICO (explicado no início desse TEXTÃO) e deixa o todo para pensar nas partes.

Dizem: “não há provas suficientes”. “Há motivações políticas”. As provas estão aí, sendo apresentadas. todos terão, mais do que com discursos messiânicos e vitimizados, se explicarem devidamente na Justiça.

Mas vamos há alguns números:

Sobre mandatos de condução coercitiva

Sergio Moro já deu todas as explicações necessárias e contundentes para tal. Só não entende quem não quer. Já foram executados 117 mandados de condução coercitiva em 24 fases da Lava Jato, mas só agora surgiram críticas, por quê, hein?

Ministros do STF

Dos 11 ministros atuais do Supremo Tribunal Federal, apenas Gilmar Mendes não foi uma indicação petista.

Será que vai virar pizza?

Para finalizar, eu ainda tenho minhas dúvidas se as investigações e prisões vão sair da ponta do icerberg e imergir em águas mais profundas. Disse, por várias vezes nas minhas redes, que se for pra prender que prendam com provas substâncias (senão se tornar mártir – acho que fui um dos primeiros a dizer isso), mas como disse um professor em um comentário deixado no meu perfil no Facebook: “Calma… Não se esqueça de que Al Capone foi preso por uma bobagezinha de imposto de renda”.

Que a Justiça seja feita no mensalão, no petrolão, no propinoduto, no mensalão mineiro, na merenda escolar. Não importa as partes, prefiro que o todo ganhe.

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região