
O marqueteiro Duda Mendonça, morreu, nesta segunda-feira (16), aos 77 anos, em decorrência de um câncer no cérebro.
Ele estava internado no hospital Sírio Libanês há mais de dois meses.
A informação foi publicada primeiro pela coluna do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Desde a internação em São Paulo, à pedido da família, as informações sobre o estado de saúde do publicitário não estavam sendo divulgadas.
Fama
Duda ganhou fama nos anos 1990, quando repaginou a imagem de Paulo Maluf (PP) e o levou a uma campanha vitoriosa à Prefeitura de São Paulo.
Mas é conhecido principalmente por ter comandado a primeira campanha eleitoral à Presidência da República vencida por Lula (PT), em 2002.
Mas Duda também fez história em campanhas com Ciro Gomes (PDT), no Ceará, Miguel Arraes, em Pernambuco, e até do ex-primeiro-ministro de Portugal, Pedro Santana Lopes.
Além de ter levado Lula ao Planalto adotando o mote “Lulinha paz e amor”, Duda já havia ajudado a eleger Celso Pitta, do grupo de Maluf, nos anos 1990.
Ele trabalhou nas campanhas ao Senado de Marta Suplicy (MDB) e Lindberg Farias (PT).
Em 2014, fracassou na coordenação das campanhas de Delcídio do Amaral (PT) ao governo de Mato Grosso e de Paulo Skaf (MDB) ao governo de São Paulo, que o levou mais uma vez a ser alvo de investigações do Ministério Público e da Polícia Federal.
O marqueteiro foi delatado por executivos da Odebrecht, sendo acusado de receber pagamentos do trabalho ao emedebista por meio de caixa 2. Meses depois também se tornou delator, tendo sua colaboração homologada pelo Supremo Tribunal Federal em junho.
Duda virou um dos personagens principais do mensalão, em 2005, quando apareceu sem avisar em uma CPI em andamento e admitiu ter recebido ilegalmente do PT dinheiro da campanha de 2002, tendo feito parte do esquema de caixa 2 da legenda. Sete anos depois, ele foi absolvido pelo Supremo.
Em entrevista à Folha em 2018, indagado sobre se é possível fazer campanha sem caixa 2, Duda disse que acha “que sim, sobretudo para os que trabalham de forma correta. Acrescentamos os impostos nos custos e dormimos em paz”.
Escândalos
Apesar dos envolvimentos nos escândalos, o maior arrependimento que Duda diz ter na carreira não tem a ver com isso.
“O maior arrependimento é quando ajudamos a eleger alguém e depois ficamos desencantados com ele. Chegamos a uma conclusão frustrante: Deus nos deu um dom e verificamos que ajudamos a eleger a pessoa errada”, disse, sem citar nomes. “Não é correto dar os nomes das pessoas. Não há quem nunca erre.”



