Foi uma vitória suada; suada, difícil e cara.
Neste momento, dez entre dez analistas dizem que o Governo acabou, que Michel
Temer não tem força nem para se livrar da obstrução urinária sem fazer shopping
parlamentar. Ficará manquitolando à espera do último dia de seu mandato.
Só que não é assim: vitória suada e cara também vale três
pontos. Se, no momento em que enfrentava uma denúncia que poderia afastá-lo do
cargo, ele sobreviveu, tem tudo para ganhar forças depois de livrar-se de
Janot. O presidente tem muitos fatores a favor: o exercício do poder, que lhe
permite preencher o Diário Oficial e dar apoio
a algum candidato à Presidência, o fim das denúncias e esplêndidos resultados
econômicos. Depende dele: não adianta usar Moreira Franco, Padilha e Eunício
para divulgar boas notícias, porque neles ninguém vai acreditar. Mas, abrindo
seu Governo à luz do Sol e tirando os suspeitos de sempre de seu lado, terá
tudo para virar o jogo.
As exportações por Santos se aproximam de 100 milhões de
toneladas, e vão batendo recordes. A balança comercial deve ter superávit de
US$ 70 bilhões até o final do ano – recorde absoluto. A taxa de juros, em um
ano e pouco de Temer, caiu à metade do que era com Dilma: foi de 14,25% a 7,5%.
Há leves sinais de melhora da atividade – que ficarão mais visíveis a partir da
taxa de juros mais baixa, que facilita os investimentos. Afastando a turma
vetusta para que a equipe econômica cresça, Temer cresce com ela.
A vista…




