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Na possível próxima tragédia socioambiental a vítima pode ser você

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​Mesmo com a repercussão nacional e internacional sobre a tragédia da lama da mineração não mudou a estrutura das 800 minas no país, nem as leis avançaram, nem sinal de uma realidade sustentável no país, o que significa: podem acontecer outras tragédias socioambientais: confira a informação aqui.

Andrew Mackenzie (presidente da BHP Billiton), Ricardo Viscovi (presidente da Samarco) e Murilo Ferreira (presidente da Vale): por que essa foto obtida pelo MP-MG foi tão pouco divulgada na grande mídia do Brasil?…


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Fazendo uma reflexão, ou melhor no caso, um rescaldo da
tragédia que abalou Minas Gerais e o Espírito Santo, consultamos sites como do
jornal de BH O Tempo que vem cobrindo direto os
acontecimentos desde 5 de novembro até hoje e outros como o
Brasil de Fato, a BBC, ou também, alguns blogs, como o do
professor universitário no Rio de Janeiro 
Marcos Pedlowski, analisando entrevistas de ecologistas, de
cientistas, de lideranças ambientais e a conclusão é que apesar do grande
choque na opinião pública, nada mudou na realidade do setor de lá para cá. O
relator do novo Código de Mineração que vai a plenário em dezembro é um
deputado federal que integra o lobby da Vale, quer dizer, ele não tem condição
moral de exercer esta função, ao passo que o Brasil necessita urgente de novas
leis no setor. Por falar nesta empresa, “até a Vale que era antes do Rio
Doce, hoje matou o Rio Doce”, como disse uma das líderes do
Movimento dos Atingidos em Barragens. Vale é uma das associadas da
Mineradora Samarco, ambas sócias da megaempresa angloaustraliana BHP Billiton,
responsáveis pela tragédia socioambiental. As três na verdade são
irresponsáveis, porque mantinham uma estrutura tão precária de
segurança dos funcionários, da população em torno e da proteção da natureza em
Mariana (MG) e no Rio Doce (ES). Nem mesmo, como foi pedido tantas vez por
vários ecologistas, não havia barreiras e diques de contenção no caso de um
rompimento de barragem e foi o o que tragicamente aconteceu em Bento Gonçalves.
A grande mídia também se omitia e ainda se omite de críticas mais contundentes
às três megamineradoras e isso deixa desinformada a maior parte da população, o
que só faz aumentar o problema. Até hoje não está inteiramente claro em que
grau a lama é ou não tóxica para as pessoas e o ambiente. Nem está definido, 20
dias depois da tragédia, qual o número de mortos: falam em 11 mas ainda há pelo
menos outros 17 desaparecidos, isso só em torno de Mariana, sem contar as
outras espécies de seres vivos na natureza que foi violentada ao longo de 500
km entre a Samarco e o Oceano Atlântico, passando pela poluição do Rio Doce e
desabastecendo de água cerca de 15 cidades mineiras e capixabas. Aliás, foram
35 milhões ou 68 milhões de metros cúbicos de resíduos que fizeram este caminho
de destruição de Minas até o mar? Mesmo com a pressão do
Ministério Público, há poucos avanços
no processo, mesmo as multas passando dos 50 milhões inicialmente anunciados
para 500 milhões de reais, o valor ainda é pouco diante do estrago causado. E
apesar  de criticadas, as licenças ambientais para a mineração, desde 2005
pelo menos, continuaram sendo mais políticas do que técnicas. Aliás, tudo
indica que continuarão sendo assim o mesmo horror.


Uma paisagem ecológica de margem do Rio Doce que desapareceu sob o mar de lama da mineração


NA MINHA OPINIÃO – Poderia ser muito, mas muito diferente, o negócio da mineração de ferro no Brasil que resulta em lucro de bilhões de dólares, também não revelados claramente. Trata-se assim de uma questão legal, jurídica, ambiental mas também dos direitos da cidadania, são informações que seriam e são essenciais serem divulgadas à população. Não basta somente drama emocional, cadê as informações mais objetivas? O perigo do silêncio da grande mídia e das autoridades públicas brasileiras aumenta quando a gente fica sabendo que a situação é precária nas 800 minas de ferro no Brasil, cerca de 300 em Minas Gerais, outras tantas no Pará e no Piauí. Atrás somente da China, à frente da Austrália, da Índia, da Rússia, nosso país é o 2º maior produtor mundial de minério de ferro, extraindo mais de 480 milhões de toneladas, já inclusa a extração feita em Minas Gerais, de 150 milhões de toneladas de minério de ferro, só em Minas. Com todo este volume de minério e de dinheiro, por que não foi investido o básico ao menos em segurança humana e socioambiental? Por que não se financiam pesquisas de uma nova tecnologia para minerar que seja menos agressiva ao ambiente, menos perigosa, mais saudável para os mineradores e enfim sustentável? Sim, é urgente uma nova forma sustentável de mineração, equilibrando o megainteresse econômico do setor com a defesa da última ecologia da natureza do Brasil. Diante de todo este cenário horrível, é bom você ao menos se informar e agendar qual poderá ser a próxima tragédia socioambiental  no país, mesmo porque a próxima vítima pode ser você.

Amanhã, aqui neste novo webespaço Jornal da Franca um novo flash, + 1 microblog ecologia na aventura da vida daqui da cidade, da região, do país, do planeta, um post a cada dia para você, onde quer que você esteja,paz aí, Padinha.


Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região