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Nos pingos da chuva

Por Entre linhas 20 de novembro de 2015 2 min de leitura

Chovia. E era uma daquelas chuvas chatas que insistem em cair, sem nenhum intervalo. Prostrou-se defronte à janela. Observava os pingos da chuva batendo, um a um. Eram como se estivessem aflitos para cumprirem sua missão. Acompanhava cada movimento das águas, como se aquilo fosse sua principal função do dia. Fazia aquilo, porque geralmente nesses dias nublados em que o mundo parecia querer desabar em água, que mais ela lembrava a falta que ele fazia. E por mais que se esforçasse para conter as lembranças, todo o esforço no final era em vão.
Nessas ocasiões, a tristeza da sua ausência se mistura com a alegria das lembranças de tantos momentos antes compartilhados – e se misturam fisicamente, lágrima e saliva. Entre uma e outra, a leve brisa que entra pela sua janela transforma-se em frio; e de repente é inverno.

O frio que começa a incomodar, faz com que ela procure em xícaras, chocolate quente e em cobertas de lã, uma fagulha qualquer que a ajude a se esquentar. Mas nada parece suficiente sem o calor daquele abraço tão conhecido. Tão ainda presente. Tão arrebatador.
Gélida, ela continua temporal. Em tempestade, raio e trovão, espera prostrada defronte à janela, uma manhã ensolarada. Espera por ele, gota, suor e oceano, enquanto conta os pingos das chuvas que insistem em cair.

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