Dados de milhões de
usuários do Facebook podem ter sido expostos online em um novo escândalo de
segurança, como publicou na última segunda-feira, 14 de maio, o site da revista
New Scientist.
Segundo a
publicação, acadêmicos da Universidade de Cambridge utilizaram um aplicativo,
chamado de myPersonality, para captar dados de usuários e o distribuíram em um
site para centenas de pesquisadores. O endereço online, porém, tinha um nível
baixíssimo de segurança, reportou a revista, expondo para um número ainda não
calculado de pessoas informações bastante sensíveis.
O myPersonality faz parte do grupo de 200
aplicativos suspensos pelo Facebook desde o início das investigações sobre
atividades suspeitas de desenvolvedores terceiros dentro da rede social. As
investigações, vale lembrar, acontecem depois que os jornais The Observer e The New York
Times revelaram o uso ilícito de dados de 87 milhões de usuários da
rede social pela consultoria Cambridge Analytica, que trabalhou, entre outros,
na campanha de Trump à presidência dos EUA em 2016.
O aplicativo foi
criado por David Stillwell e Michal Kosinski, da Universidade de Cambridge –
Aleksandr Kogan, responsável pelo aplicativo usado pela consultoria Cambridge
Analytica, também fez parte do processo anteriormente. “O tipo de dados captados é poderoso e há
grande potencial para uso mal-intencionado”, disse Chris Sumner, da Online
Privacy Foundation, à revista. Segundo a publicação, a autoridade regulatória
de proteção de dados, a Information Comissioner’s Office, disse que está
investigando os dois pesquisadores.
Segundo dados, 6
milhões de pessoas fizeram os testes do myPersonality – metade deles concordou
em compartilhar os dados de seus perfis do Facebook com o projeto. Todos os
dados foram coletados e tiveram seus nomes removidos antes de serem disponibilizados
em um site para compartilhamento com outros pesquisadores.
De acordo com a New Scientist,
pelo menos 280 pessoas de 150 instituições diferentes, incluindo empresas como
Facebook, Google, Microsoft e Yahoo, tinham acesso ao banco de dados. Para ter
o acesso, era preciso ter um contrato acadêmico permanente. O site, porém,
tinha um nível de segurança baixíssimo – a ponto de um usuário e senha válidos
serem facilmente encontráveis com uma busca no Google.



