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Novos donos que pagaram R$ 3,5 bi pelas Havaianas miram mercado dos EUA

A Alpargatas, negociada por R$ 3,5 bi, faturou R$ 4 bilhões em 2016

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Os novos donos da Alpargatas querem ampliar a oferta de produtos da marca Havaianas e acelerar a expansão internacional da empresa, especialmente nos EUA.

A estratégia foi anunciada ontem pelo presidente da Itaúsa, Egydio Setubal, um dos novos acionistas da fabricante de calçados.

Empresa de investimentos das famílias Setubal e Villela, a Itaúsa associou-se à Cambuhy e a Brasil Warrant, ambas companhias dos Moreira Salles, para comprar a Alpargatas da J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.

A operação de venda foi fechada na última quarta-feira e prevê o pagamento à vista de R$ 3,5 bilhões. Pelo acordo, as três compradoras ficarão com 54% do capital total da Alpargatas – e 86% das ações com direito a voto.

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Apesar de exportar para mais de 100 países, apenas 16% da receita da empresa vêm do exterior. A Alpargatas faturou R$ 4 bilhões no ano passado. 

Os novos donos acreditam que é possível acelerar o crescimento lá fora. O foco será no mercado americano e em países estrangeiros que possuem clima tropical, afirmou Setúbal.

“A marca Havaianas tem capacidade de expansão muito grande nos Estados Unidos, onde a participação ainda é relativamente pequena e muito concentrada na Califórnia, Flórida e Nova York”, disse o empresário em teleconferência.

Em relação ao Brasil, Setubal destacou que há espaço para que a Alpargatas não só mantenha o status de liderança no país bem como aumente seu market share, aprimorando a experiência da marca. 

“A Alpargatas é a maior empresa de calçados, com mais de cem anos de existência no Brasil e reúne marcas muito reconhecidas e desejadas pelos consumidores, como Havaianas, Osklen e Mizuno. 

No caso da Havaianas, é a marca brasileira mais conhecida no exterior e tem presença global”, disse Setubal.

Ele afirmou que a Alpargatas deverá investir também para ampliar o portfólio de produtos.

Contrato protege novo controlador

O maior ponto de atenção na compra da Alpargatas foi a proteção para os novos controladores da empresa de eventuais riscos que possam advir do acordo de leniência e colaboração premiada por parte dos antigos donos, de acordo com o presidente da Itaúsa, Alfredo Setubal.

“A atenção foi toda em torno disso. O contrato protege bastante bem os novos controladores desse risco (do acordo de leniência dos antigos controladores). Estamos tranquilos”, explicou o executivo.

Captação será de R$ 1,8 bi

Segundo o presidente da Itaúsa, Alfredo Setubal, a taxa das notas promissórias que a holding vai emitir para pagar a Alpargatas será equivalente à das debêntures ofertadas para a compra da Nova Transportadora do Sudeste, de 107% do CDI. A empresa vai captar um total de R$ 1,8 bilhão.

Cesar Colleti

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