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Crianças menores de 5 anos não devem usar máscara? Pediatras discordam

Publicação da OMS foi rebatida por pediatras brasileiros: "Recomendação equivocada e desnecessária"

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​Desde o início da pandemia, a recomendação é para que todos as pessoas com mais de 2 anos anos usem máscara em locais públicos. 

No entanto, em um documento direcionado a “tomadores de decisão, profissionais de saúde pública e infantil”, com data do dia 21 de agosto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) recomendam que a máscara seja usada apenas por crianças a partir de 6 anos.

“Um estudo sobre o uso de máscara durante surtos de gripe sazonal no Japão observou que o uso de máscaras foi mais eficaz nas séries do ensino superior (crianças de 9 a 12 anos) do que nas séries iniciais (crianças de 6 a 9 anos)”. 

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“Um estudo, conduzido em laboratório e usando não-betacoronavírus, sugeriu que crianças entre 5 e 11 anos ficavam significativamente menos protegidas pelo uso de máscara em comparação com adultos, o que possivelmente estaria relacionado ao ajuste inferior da máscara”, argumentou a OMS. 

“Vários estudos descobriram que fatores como calor, irritação, dificuldades respiratórias, desconforto, distração, baixa aceitabilidade social e mau ajuste da máscara foram relatados por crianças ao usarem máscaras”, completou.

Ainda segundo a OMS, adolescentes podem “desempenhar um papel mais ativo na transmissão” do vírus do que as crianças pequenas. 

E, portanto, “os benefícios do uso de máscaras em crianças para o controle da covid-19 devem ser pesados ​​contra os danos potenciais associados ao uso de máscaras, incluindo viabilidade e desconforto, bem como questões sociais e de comunicação”. 

No entanto, a OMS afirma que se for estabelecido um limite de idade inferior a 2 ou 3 anos para o uso de máscara, é fundamental que seja feita com supervisão “apropriada e consistente, incluindo supervisão direta da linha de visão por um um adulto competente”, especialmente por um longo período de tempo. 

E fez uma ressalva: “Crianças com deficiências cognitivas ou respiratórias graves, que têm dificuldade em tolerar uma máscara, devem, em nenhuma circunstância, serem obrigadas a usar máscaras”. 

Para a Organização, outras medidas devem ser seguidas para minimizar o risco de transmissão, como manter distância física de pelo menos 1 metro, educar as crianças a realizarem a higienização das mãos e limitar a quantidade de alunos por turma nas escolas.

O que dizem os especialistas brasileiros​

Para o pediatra Renato Kfouri, vice-presidente do Departamento de imunização da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), as novas recomendação são equivocadas e desnecessárias. 

“A gente vem fazendo todo o um trabalho de conscientização com a população. Não há evidências que comprovam que o uso não é eficiente, assim como do contrário”. 

“E, apesar de as pesquisas comprovarem que as crianças transmitem menos e sofrem menos complicações graves, elas também contraem e ficam doente”, argumentou. 

“Nós não vamos seguir essa orientação. Prevenir é sempre o melhor a fazer. Uma orientação dessas apenas confunde os pais, é um desserviço”. completou.

O pediatra Nelson Douglas Ejzenbaum, membro da Academia Americana de Pediatria (AAP), concorda. 

“Sabemos que crianças com mais de 5 anos têm um maior controle e conseguem tirar e colocar a máscara, mas, se bem supervisionados e instruídos, os menores também conseguem usar de forma adequada”. 

“Na minha opinião, o uso da máscara reduz — e muito — a transmissão, isto é, possibilidade de uma pessoa passar ou pegar o vírus. Então, por que não usar?”, questiona.

“Acredito que a recomendação da OMS foi feita pensando no mundo todo. No entanto, cada caso deve ser analisado separadamente. Por exemplo, você e seu filho pequeno vão entrar em um elevador, é importante usar. Assim como em um local com mais pessoas”. 

“Não estamos falando em longos períodos, mas o uso com supervisão paterna e materna em locais cheios de pessoas pode ser fundamental. Portanto, eu recomendo o uso em crianças a partir de 2 anos, sempre sob supervisão e controle de um adulto para diminuir os riscos de sufocação”, pontua.

*informações: Revista Crescer