A cidade de Franca voltou a viver uma efervescência política que não se via desde os tempos das eleições municipais em 2016, principalmente no segundo turno, quando o atual prefeito Gilson de Souza (DEM) bateu, de forma até então inimaginável, seu adversário Sidnei Rocha (PSDB), então com amplas chances de voltar a governar a cidade pela quarta vez, depois de três mandatos anteriores bem sucedidos.
Gilson confirmou a preferência popular ao vencer o ex-Boca no Trombone, consagrando-se como a surpresa que, de quebra, deixou de fora outro nome forte para o Executivo francano: a delegada da DDM, Graciela de Lourdes David Ambrósio (PP), além de sepultar as pretensões políticas, mais uma vez, do ex-deputado federal Marco Aurélio Ubiali – Dr. Ubilai (PSB)
A Câmara dos Vereadores de Franca aprovou, nesta terça-feira, uma Comissão Processante contra o prefeito Gilson de Souza (DEM), com o aval de oito dos 15 vereadores.
A motivação da abertura da CP é a omissão de Gilson de Souza na fiscalização de vendedores ambulantes, que têm “invadido” Franca nos últimos meses.
Como consequência, a CP – Comissão Processante (que não é a CPI como a que foi feita contra o ex-prefeito Alexandre Ferreira, no caso do escândalo da Saúde) pode pedir a cassação do mandato do prefeito francano.
Votaram pela abertura da Comissão Processante os vereadores Adermis Marini, Tony Hill e Kaká (PSDB); Cristina Vitorino (PRB); Della Motta (Podemos); Claudinei da Rocha e Pastor Palamoni (PSB).
Marco Garcia (PPS), presidente da Câmara, que por regimento não participa das votações, votou porque houve empate na votação normal e ele tem o chamado “voto de minerva”, ou seja, justamente de desempate.
Farão para da Comissão os vereadores Adermis Marini (presidente), Della Motta (relator) e Arroizinho, como terceiro membro. Para suplentes da Comissão foram sorteados os vereadores Claudinei da Rocha, Carlinhos do Petrópolis e Corrêa Neves Júnior.
Politicamente, ou Gilson aprende apanhando ou perderá o mandato de Prefeito com o qual sempre sonhou e pelo qual lutou em nada menos que quatro eleições.
O seu governo começou errado e foi capaz até mesmo de estragar onde tinha acertado, como por exemplo, demonstrando total incapacidade de manter até mesmo os bons nomes que conseguiu aglutinar para o começo de seu mandato, pois muitos destes nomes de destaque e experiência na vida comunitária e política da cidade, poderiam muito bem suprir a completa inexperiência que Gilson e parte de seu grupo levavam para o Paço Municipal.
Administrativamente, faltou alguém para soprar aos ouvidos do prefeito Gilson – ou a quem tem decidido em lugar dele (em algumas situações que já se mostraram evidentes) que o gestor não pode fugir de suas responsabilidades.
E quanto a responsabilidades administrativas, dever de ofício, competência administrativa, há um exemplo bem recente: a ex-presidente da República, Dilma Rousseff (PT) perdeu seu mandato, cassada pela Câmara, pelas chamadas “pedaladas fiscais”, ou seja, não perdeu o mandato por corrupção, mas por “deixar de fazer”.
Em tempos de LRF – Lei de Responsabilidade Fiscal -, os gestores públicos não podem contemporizar com situações financeiras – que exigem o foco maior para que as coisas não desandem -, mas igualmente não podem deixar de cumprir com obrigações comezinhas, como estabelecer competências do município sobre comércio ambulante, por exemplo, que é o caso em tela.
Quanto se diz que “ou Gilson aprende apanhando ou perde o mandato”, é porque, apesar do estrago político maior já ter sido feito (a criação da Comissão Processante), ainda há tempo de se reverter um quadro que é bastante grave.
Mas para isso, o prefeito tem que se levantar mais cedo, dormir mais tarde, mandar mais, ser mais Prefeito do que tem sido e cercar-se de menos puxa-sacos e mais técnicos capazes de reaprumar seu governo.
Hoje são os ambulantes, amanhã serão os rombos financeiros que a Prefeitura tem cavado a cada mês, a cada dia de sua gestão. Mais à frente sabe-se lá o que será.
O que se sabe é que fatos desabonadores a Gilson de Souza como prefeito existem à fartura.
E seu poder de resolução tem se mostrado cada vez mais fraco, como tem sido a avaliação de sua condição de gestor público.
Que os francanos estejam errados em sua avaliação. E que o tempo desminta estas negras previsões que têm sido constantes no dia a dia do governo municipal.



