Unidades de atendimento de saúde de Franca registram grande movimentação nos últimos dias
Quem teve que passar pelos serviços de saúde de Franca, públicos ou particulares, certamente reparou a grande movimentação, principalmente no setor de atendimento às crianças. E isso tem uma explicação.
O outono é sinônimo de aumento de infecções respiratórias em crianças devido à maior proliferação de vírus, bactérias e outros patógenos, que são agentes infecciosos que se espalham principalmente por meio do espirro ou gotas de saliva e compartilhamento de objetos, tanto em casa como nas escolas.
Além das patologias habituais, há também o risco de contágio pelo vírus da Covid-19, o que tem sido bastante contido com o avanço na vacinação em Franca, mas ainda requer precaução na cidade.
Outro fator que favorece o surgimento de infecções respiratórias são as condições ambientais, como a diminuição no volume de chuvas, além da aglomeração de pessoas em ambientes fechados e sem ventilação.
“Apesar da redução do número de infecções pelo coronavírus, existem outros vírus que são responsáveis por esse aumento da incidência e consequentemente a necessidade de atendimentos hospitalares e clínicos”, disse o médico Renato Eugênio Macchione.
Segundo ele, as doenças mais comuns nesta época do ano são as rinites e sinusites, as conjuntivites e otites, e as infecções respiratórias de vias superiores, além do predomínio de crises de asma e as pneumonias causadas por infecções virais e bacterianas.
Sintomas respiratórios
De acordo com o pediatra Marcelo Iampolsky, professor de Medicina do Centro Universitário São Camilo, os principais sintomas das doenças respiratórias são febre, cansaço, dor no corpo, dor de cabeça, tosse, diarreia, vômito.
“São sinais muito parecidos, de doenças que têm em comum a transmissão através de gotículas respiratórias. Por isso é importante que, na vigência dos sintomas, procure-se um profissional para fazer esses diagnósticos.”
Principais causas
Macchione explica que além de as crianças portadoras de rinite e asma apresentarem uma incidência maior de quadros respiratórios infecciosos nesta época do ano – por isso a importância de manter as medicações preventivas.
As principais causas incluem a poluição do ar, principalmente ocasionada por poluentes decorrentes de incêndios e queimadas, e a exposição das crianças a ambientes secos, espaços fechados e com pouca ventilação, incluindo a proximidade com fumantes nesses locais.
“O contato em ambientes fechados e aglomerações com grande número de alunos na mesma sala aumenta transmissibilidade devido à falta de ventilação e eliminação de gotículas infectantes”, alerta.
O pneumologista destaca ainda que existem vários estudos em andamento tentando correlacionar o grau de baixa ventilação e o aumento de infecções respiratórias, sendo a qualidade da ventilação um fator importante, caso ela exista.
“O que temos observado, às vezes, é o aumento de gases, principalmente monóxido de carbono e outros irritantes das vias respiratórias, em ambientes fechados, além de outros elementos que poderiam prejudicar o aparelho respiratório”, pontua.
Como tratar
O tratamento de gripes e resfriados consiste basicamente em repouso, alimentação e hidratação para fortalecer o sistema imunológico, e uso de antitérmicos e analgésicos quando necessário, para alívio dos sintomas.
“É importante também não medicar nem com xaropes nem com antigripais gerais, porque pode ocasionar à criança inúmeros riscos, principalmente o de intoxicação como, por exemplo, com o uso de xaropes contra a tosse”, destaca Macchione.
Prevenção
Para evitar a propagação de doenças, é essencial seguir uma série de medidas que contribuem para diminuir a incidência de infecções respiratórias.
Macchione salienta que medidas comportamentais podem contribuir na prevenção dessas doenças, incluindo uma boa alimentação e hidratação, lavar sempre as mãos com água e sabão, não levar a mão à boca, nem aos olhos e ao nariz, e evitar o contato próximo com crianças que apresentam febre, tosse, secreções nasais e orais.
“A recomendação é manter os ambientes sempre abertos e ventilados, para que recebam sol durante o dia, e manter o local onde as crianças ficam a maior parte do tempo e principalmente o quarto, bem arejados, com luminosidade adequada, e observar nas paredes, no teto e nos muros se tem algum mofo infiltrado, que são elementos altamente prejudiciais. Os ambientes fechados, pouco ventilados e mal iluminados podem ter um desenvolvimento muito grande de fungos e ácaros que prejudicam a via respiratória”, diz.
Medida necessária
Para o pneumologista, a desobrigatoriedade do uso de máscaras pode impactar no aumento da incidência dos casos de infecções respiratórias.
“O uso das máscaras tem um papel importante na redução da transmissibilidade das gotículas infectantes, e eu acredito que para as escolas seria importante que a recomendação fosse manter, tanto para alunos quanto para professores, devido ao contato intenso, principalmente nesse período do ano, mas infelizmente houve a retirada”, finaliza.



