
Pesquisa da Sociedade Brasileira de Reumatologia revelou que 32% dos pacientes com doença reumática no país não tiveram contato com especialistas durante o período da pandemia, seja porque não buscaram ou porque não conseguiram.
O levantamento foi realizado em parceria com a Sociedade Paulista de Reumatologia e ouviu, de forma virtual,1.793 pacientes em junho de 2020. As informações são da Agência Brasil.
O médico Marcelo Pinheiro, presidente da Sociedade Paulista de Reumatologia e coordenador da pesquisa, alertou para a necessidade de que os pacientes busquem atendimento com reumatologistas, se houver necessidade, mesmo no contexto da pandemia, porque é importante que seja feito o diagnóstico e que se inicie o tratamento.
“Não se pode ficar esperando [para procurar atendimento médico], que a pandemia não está passando e a doença reumática continua. Então, o pior cenário seria doença reumática em atividade, ou seja, não controlada, e a infecção [por covid-19]”, disse o médico.
Segundo ele, com a demora para procurar tratamento, há “risco alto de a doença piorar, entrar em atividade e ser mais difícil de controlar. Não é para esperar a pandemia passar, é para fazer o tratamento”.
O médico Marcelo Pinheiro pede que os pacientes não entrem em pânico ao relacionar o tratamento da doença reumática com a covid-19.
“Eles são grupo de risco porque têm uma comorbidade, mas não tão grave quanto a gente esperava no início da pandemia. Hoje, a gente tem liberado os pacientes para manterem a medicação e voltar ao trabalho”.
Do total de entrevistados, 88% são mulheres. Considerando o total da amostra, 3% relataram que contraíram a covid-19, sendo o maior grupo formado por portadores de artrite psoriática (7,46%) e o menor com lúpus (1,48%).
Apesar das dificuldades impostas pela pandemia, 68% dos pacientes tiveram suporte médico, sendo 30% por telefone, 24% por consulta presencial e 14% pelas redes sociais.
Os dados sugerem que a atividade da doença, em geral, não foi prejudicada pela pandemia: 63% dos pacientes disseram que os sintomas não se alteraram e 8% que melhoraram. A piora dos sintomas ocorreu para 29% dos entrevistados.
O médico Marcelo Pinheiro avalia que o atendimento remoto auxiliou muito durante a pandemia. Segundo ele, houve contato entre médicos e pacientes, além dos contatos feitos pelos pacientes com as sociedades de reumatologia, tanto a brasileira quanto a paulista.
“Observamos que boa parte dos pacientes procurou em mídias sociais porque perdeu o contato com seus médicos, mas conseguiu auxílio com o programa de ajuda de pacientes. E outros, mesmo com a piora [dos sintomas], não conseguiram contato com o médico, mas acabaram tendo ajuda pelas mídias sociais dos próprios médicos da sociedade e até com grupos de apoio”, disse.
Do total de entrevistados, 17% pararam de tomar pelo menos um medicamento, dos quais 35% por conta própria, 37% por orientação médica e o restante não houve especificação. Segundo o estudo, o motivo alegado para a suspensão por conta própria está relacionado ao medo e risco de desfecho desfavorável.
O médico afirmou que a recomendação é para que aqueles que já estejam em tratamento mantenham a medicação. “É uma recomendação super importante, porque os pacientes, como não conseguiam falar com os médicos, abandonaram os tratamentos. O que aconteceu? A doença piorou.”



