Uma forte dor de cabeça, sensibilidade
à luz, enjoo, quase sempre misturados, são todos sinais de uma enxaqueca. A
doença é considerada uma das mais incapacitantes pela Organização Mundial da
Saúde (OMS) e tem na predisposição genética um fator importante para o seu
surgimento.
Segundo a Fundação Americana de
Enxaqueca, se pelo menos um dos seus pais tem o transtorno, sua chance de
desenvolvê-lo fica entre 50% e 75%. Para entender melhor quais os mecanismos
genéticos que transmitem a doença dentro de uma família, pesquisadores da
Universidade Helsinki e do Instituto Broad — que reúne cientistas da
Universidade Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts — realizaram
um dos maiores estudos sobre o tema, publicado ontem na revista Neuron.
A pesquisa usou o histórico médico
e informações genéticas de 1.589 famílias finlandesas que sofrem com a doença,
totalizando mais de 8.300 indivíduos. Um estudo anterior, com 59 mil
participantes, realizado pela mesma equipe, identificou 40 variantes genéticas
que aumentam consideravelmente o risco de se desenvolver enxaquecas, além de
centenas de outras mutações que têm um impacto mais sutil.
Os cientistas usaram essa descoberta para criar uma pontuação capaz de avaliar
a predisposição genética de uma pessoa para desenvolver o transtorno, e a
aplicaram nas famílias finlandesas. Os resultados mostraram que, para todos os
tipos de enxaquecas, os casos familiares são resultado de uma combinação de
diversas variantes que se acumulam ao longo do tempo. “Tanto as variações genéticas raras e de alto impacto quanto aquelas mais
comuns, com impacto menor, podem contribuir para a agregação da enxaqueca em
uma família”, disse Padhraig Gormley, do Instituto Broad, principal autor do
artigo. “Nesse estudo, nós queríamos encontrar quais delas são mais
importantes, e se a carga genética é mais alta em alguns tipos do transtorno”,
acrescentou.




