Todos os dias, ao chegar à creche, é a mesma história: Eduardo, três anos, o filho da vendedora Márcia de Campos Venâncio gruda nas pernas da mãe e se recusa a entrar. Ele passa o dia inteiro na instituição, pois a mãe precisa trabalhar. O sofrimento é mútuo. “Sofro muito com essa situação. Minha esperança é que ele ainda se adapte”, diz. Márcia fala que, se tivesse uma alternativa, como uma babá em casa, não mandaria o filho para a creche por enquanto.
O dilema de Márcia é o mesmo de muitos pais e mães. Matricular um bebê ou uma criança pequena em uma instituição em geral é não apenas uma grande mudança de rotina para a família, mas muitas vezes motivo de angústia para pais e filhos. O que acontece então quando uma criança precisa ficar na escola ou creche em período integral? O longo período longe dos pais pode ser um problema para o desenvolvimento da criança? A escola está preparada para receber essa criança durante tanto tempo? A angústia de muitos pais é justificável?
O período integral levantando uma questão que a divide muitas opiniões em relação à educação infantil: a criança precisa ser escolarizada o quanto antes ou a escola é apenas um lugar bem estruturado para deixar os pequenos enquanto os pais trabalham? Nem um, nem outro. É a opinião da pedagoga Paula Bocalini Silva. “É preciso se afastar dessas duas extremidades. Existem instituições que conseguem ser menos assistenciais e menos escolarizantes. Isso porque constroem uma concepção pedagógica para criar uma boa experiência de vida”, afirma.
Ambiente acolhedor




