Três árvores da mesma espécie ficam floridas, despertam olhares e polêmica, estão dentro do espaço urbano na região do Córrego Espraiado, mostrando que a natureza ainda sobrevive apesar dos pesares e do descaso em relação à ecologia por aqui e em quase todo o país. Três Tulipeiras.
|
As três árvores em foco hoje produzem frutos e flores que parecem tulipas |
A polêmica surgiu por causa da sua identificação, enquanto alguns transeuntes da pequena estrada que leva à AABB, entre o sítio da família de Magno Quirino e o Condomínio Ecoville, na zona sul de Franca (SP), eles já estavam achando que as árvores eram Mulungu, por outro lado, moradora nas proximidades, a professora de Geografia, Élide Rosa Rodrigues Silva em especial para os blogs da gente – Folha Verde News e Flash de Ecologia – pesquisou as suas características visuais e concluiu que se tratavam na verdade de três árvores da espécie conhecida popularmente como Tulipeira, nome que vem do formato de suas flores entre o vermelho e o laranja, que lembram mesmo tulipas. Magno Quirino que mantém praticamente a última fazenda do espaço urbano neste local não se lembrou o nome das árvores: “São tantas aqui, assim por nome, esqueci”, mas informou que “ela não nasceu sozinha, foi plantada por meu pai há uns 30 anos, eu me lembro”. O pai dele é o Francisco Quirino, que hoje está com 91 anos e muito forte ainda, o conhecido Sô Chiquinho entre a Santa Cruz e o Jardim Noêmia. Este detalhe reforça a avaliação feita pela Élide Rodrigues Silva, com base em seus conhecimentos e arquivos geográficos: as três árvores não são nativas, foram plantadas, sendo consideradas exóticas e ornamentais, mais apropriadas para o meio rural mesmo do que para cidades porque têm raízes muito grandes. “As Tulipeiras além da beleza são importantes do ponto de vista ecológico porque combatem a erosão, isso em Franca é mais importante ainda, em muitas regiões da cidade há erosões acentuadas, por aqui não, ainda há um equilíbrio”. Ela teve o cuidado de detalhar as informações: este tipo de árvore é originário da África e se adaptou bem ao clima do interior do Brasil, gostam de muito sol, crescem em médias uns 12 metros de altura, podendo atingir até 24 metros com o tempo. As flores são vermelhas e alaranjadas ou em alguns casos, amareladas, atraem pela beleza dos cachos, ajudam a polinização por são visitadas por abelhas e passarinhos, em especial, beija-flores. Crianças que moram no Ecoville avistam vez por outra bandos de Macaquinhos ou Tucanos mordiscando seus flores e folhas, mas para as pessoas é uma planta considerada tóxica (possuem alcalóides tóxicos). As Tulipeiras são também popularmente chamadas como Árvore de Bisnagas, Tulipeira Africana ou Bisnagueira, classificadas como da espécie Bignoniaceae (nome científico Spathodea campanulata). Estas árvores produzem um fruto (que atrai por aqui os pequenos e últimos Macacos Pregos da região), além de pássaros variados, que vêm em busca do brejo que sobrevive dentro dos 4 alqueires de terra do Magno Quirino, que faz limite com o Córrego Espraiado, que é o principal formador da Represa do Castelinho, visto como o lago Paranoá ou a lagoa da Pampulha de Franca, represa passando por dificuldades ambientais e distante a 3 quilômetros deste local. O córrego está livre de efluentes industriais e domésticos, por causa do sistema de emissários da ETE da Sabesp, mas ainda sofre com esgotos clandestinos que atacam as nascentes da região e complicam a situação da Represa do Castelinho, lago que oxigena toda a cidade na seca e tem seu problema agravado devido a areia e entulho de construções que descem com as chuvas e assoreiam suas águas. A depender da fazendinha do Magno Quirino, tudo estaria limpo e ecológico, mas infelizmente há moradores e empresas, construtoras e garagens que lavam seus veículos que complicam o ambiente desta microrregião. “Pelo menos por aqui, a natureza está bem forte que nem meu velho pai, que ainda de vez em quando capina”, comentou Magno Quirino.

Três Tulipeiras por aqui espalham ao vento perfume, flores e….
|
…sementes que também atraem macacos e pássaros |
|
As flores do Mulungu são um pouco diferentes nas cores e na sua formação… |
…sendo uma árvore medicinal ela é também símbolo da Argentina
|
Sementes e frutos do Mulungu são muito diferentes na estrutura… |
…das semente e frutos da Tulipeira
As Tulipeiras além da beleza combatem a erosão como por aqui no sítio de Magno e Chiquinho Quirino
|
Esta reportagem reforça a luta ambientalista pelo plantio em massa para recuperar a ecologia perdida |
Muitos pensavam que estas três árvores, margeando a estrada que vai até à Associação Atlética do Banco do Brasil (AABB), um clube onde tem um mata nativa já tombada por lei municipal há alguns anos atrás, fossem elas da espécie Mulungu, mas são mesmo Tulipeiras. No visual se assemelham com os Mulungus, também chamadas de Corticeira dos Banhados ou Crista de Galo ou ainda de Flor de Coral, sendo científicamente da família Fabaceae, nativas da nossa região e abundantes nos campos e alagados em toda a América do Sul. Pelo menos, eram abundantes, os Mulungus vão cada vez mais ficando raros como as suas primas visuais Tulipeiras por causa das diferentes agressões ao meio ambiente e o crescimento das cridades. O Mulungu, diferente da Tulipeira, não perde as folhas durante a floração. Os seus frutos são do tipo legume (vagem), são um pouco menores, raramente elas atingem 10 metros de altura, mas o Mulungu além de ser medicinal (utilizado como calmante) são a árvore símbolo da Argentina, mais ao sul do nosso continente. Bem, mas as primas Mulungu e as Tulipeiras, estas árvores são ambas floríferas e espalham o perfume, as flores e as sementes ao vento para se reproduzirem caso encontrem terra e umidade. “Nesta época de complicações com a proliferação do Aedes aegypti, tanto estas Tulipeiras como os Mulungus e outras árvores que estimulam o aumento da população de passarinhos, ajudam o controle dos mosquitos, que são alimento diário pros pássaros”, comenta por sua vez aqui ao fazer este post o repórter e ecologista Antônio de Pádua Silva Padinha, que vem defendendo através dos blogs e de postagens no Facebook um replantio monstro de árvores, por aqui e em todo o país, em busca da ecologia perdida, que é algo a favorecer também surtos de doenças. A saúde e a beleza destas três árvores Tulipeiras à beira da estradinha entre a cidade e o meio rural em Franca, no nordeste paulista, simbolizam a luta de todos os que amam a natureza e a vida por aqui no interior do país.
Amanhã aqui neste microblog de Ecologia mais informação e para você onde quer que você esteja, muita paz, Padinha!











