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Pesquisa inédita mostra semelhanças de perfil da indústria de calçados

Na pesquisa, leitor percebe série de semelhanças com perfil da indústria do sapato em Franca

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Quase 80% das empresas calçadista de Jaú não exportam, apesar do calçado ter qualidade e preços atraentes, informa o pesquisador e professor Marcos Antônio Bonifácio.

“Foi quase uma confirmação. Se temos qualidade e preço porque não conseguimos vender? Falta gestão, interesse? Por que dos entrevistados, 50% não têm interesse? Não estamos querendo vender para a Itália ou Estados Unidos. Mas por que não vender para os países do Mercosul? Com todos os incentivos, pode ser uma alternativa.” 

A pesquisa mostra esse panorama, novos horizontes. “Paraguai, Uruguai, Argentina, Venezuela, Chile estão aqui do nosso lado. São menos impostos e mais facilidades. Nesse momento não dá para fazer afirmações. Mas eu consigo ter sinalizações. Esse é um mercado em potencial. O polo de Jaú tem uma característica diferenciada que é a variedade.”

Bonifácio ressalta que 71% das empresas de Jaú lançam em média quatro coleções. “Essas coleções se dividem em linhas de produto. Dentro das linhas tem modelos. Quatro coleções de quatro a sete linhas para 50% das empresas. Isso significa que são lançados em média 560 modelos/ano. Qual a política que posso usar para abraçar outros mercados? 48% dos calçados jauense são vendidos no Estado de São Paulo.”

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O professor explica que a concorrência de calçados femininos acontece nas classes mais baixas. 

“Sofre a influência da competição de volume/preço. Quem compete com volume/preço é a China que trabalha com modinha. É o sapato barato, vendido em bancas. O sapato chinês é modinha. Não vai ter qualidade, mas é adequação ao uso. Serve bem as classes sociais C e D.” 

O desafio do polo de Jaú é vender para a China atendendo as necessidades das classes sociais A e B. 

“Essas classes estão comprando sapatos da Itália ou será que a China está produzindo para as classes A e B? Será que não conseguimos vender para China. Se eu quiser competir com a China na modinha talvez eu não consiga. Eles têm volume, eles fazem bilhões. Três fábricas chinesas juntas produzem quase um terço do que o polo de Jaú produz. Não dá para competir no volume/preço.” 

A pesquisa detectou que parte das empresas ainda trabalha pensando em atender a classe C e D.

“Aí tem que competir com a China e não consegue porque teria que tirar muito volume e talvez não seja esse o nosso objetivo. Se não consigo vender para a classe A, mas tenho um sapato que sobe um pouco na escala e não compete por preço. Mas como eu fico sabendo? Olhando esses dados, cruzando dados. Verificando as fragilidades. 13% das empresas não calculam tecnicamente seus custos. Por mais complexo que sejam existem métodos para calcular custo. Não dá para admitir que mais de 10% das empresas não calculem e levem o negócio de forma empírica.”  

O raciocínio é prático. Se temos três ou mais empresas que vendem para a Capital e cada uma usa uma transportadora. 

“Podemos propor que usem uma única transportadora e consigam negociar um preço abaixo do que estão pagando. Essa é a questão do transporte. Porém, o mesmo pode ser aplicado na compra de materiais que são usados, como a cola, por exemplo. Cada um compra sua cola. Juntos podem comprar um caminhão de cola e conseguir um preço mais acessível. Tudo isso vai baixar o custo do calçado.” 

O mesmo pode ser aplicado na exportação. “Um tem a rasteirinha, outro sandália e outro scarpin. Usamos a mesma empresa que vai fazer a negociação,  tipo uma cooperativa. O arranjo produtivo local (APL) do calçado feminino vai mostrar o que eu preciso fazer para que esse sapato seja bem produzido e vendido.” 

Ele enfatiza que a cooperação é vantajosa para o polo. “Os empresários podem pensar que será criado uma cadeia na compra, na negociação na venda, no transporte e na distribuição. Isso vai beneficiar todos. Ninguém vai copiar o calçado do outro, mas vai trabalhar junto. Se na compra de materiais eu conseguir 1% de desconto, já é uma vantagem.” 

A proposta do estudo é apontar políticas públicas e privadas que melhorem o desempenho das empresas. 

“Vai apontar políticas ou não para melhorar o polo. Grande parte das empresas brasileiras enfrentam uma crise. Um dos itens coletados junto aos empresariado pode ser uma alternativa para enfrentar a situação e dar ‘saúde’ para o setor,” finaliza Bonifácio.

Cadeia produtiva será aquecida 

O Polo Calçadista de Jaú tem uma cadeia produtiva. Não tem mais curtume. Não se curte mais pele no Estado de São Paulo, é muito difícil. “Os calçadista compram o couro White Blue, aquele que faz luvas de proteção. Cada fabricante faz o acabamento nele. Rebaixa, tinge, amolece põe o efeito que quiser, isso se faz em Jaú. Então você tem toda a cadeia. Tem o couro, tem quem faz o salto, faz o tacão, solinha, palmilha, sola etc. A pesquisa ficou restrita aos produtores do calçado.” 

Pela tese do pesquisador, somente o produtor foi pesquisado porque se o calçado sucumbir a cadeia vai junto. “Se focarmos nas ações do produto, ele vai comprar mais matéria prima e aquece a cadeia para trás. Se tivermos mais produtos está aquecendo a cadeia para a frente. O centro vai ser o polo das empresas.”

Negócio de década

A pesquisa mostrou que 98% dos empresários têm função no negócio, ou seja são administradores, compradores ou trabalham no negócio. 

“Tem pouco sócio capitalista. São pessoas que empreendem. 64% deles estão no seu primeiro negócio. Não morreram no primeiro ano. 64% estão acima de seis anos. Há uma certa maturidade. 41% das empresas que nos receberam tem mais de 10 anos. Sinônimo de saúde, enquanto que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 52% das empresas chegam até quatro anos de vida. Nesse cenário, de zero a cinco anos de vida, em Jaú temos praticamente 30% das empresas o que chama atenção. Precisamos de políticas de reforço, maturidade.”

Em Jaú, 50% das empresas têm prédio próprio. 

“É uma ideia de maturidade. Os prédios próprios estão concentrados nas fábricas mais antigas. Somente cerca de 20% das mais novas têm prédio próprio. Será que nesse momento precisamos investir em novos distritos industriais? Será que os empresários devem investir nisso? São respostas que vamos encontrar ao cruzar os dados,” diz Marcos Antônio Bonifácio. 

O design é outro item que chama a atenção na pesquisa. 

“71% das empresas têm departamento de design. Dessas 51% ou seja, mais da metade, ainda utilizam as inspirações internacionais para desenvolver seus modelos. Percebemos que há um nicho de mercado para exportação. Há um nicho de mercado para criar a logística. A saída é pegar esses perfis prontos e redigir um relatório, o que está sendo feito. Eles vão permitir que a gente correlacione dados na sequência e aí sim criar políticas. Quem vai usar essas políticas? São os atores. Sindicatos, prefeitura, empresários. Temos que criar ações para alavancar o setor”, pondera o pesquisador. 

De acordo com o Sebrae, 83% das empresas de Jaú são micros ou pequenas.

“O setor calçadista responde por 17% dos empregos formais na cidade. Buscamos entender como é a empresa do calçado? Como são os empresários? Como são os produtos hoje fabricados em Jaú? Qual o perfil da produção? Entendendo a pesquisa temos como fazer um diagnóstico.” 

(Com informações de Rita de Cássia Cornélio – JCNET)

Cesar Colleti

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