“Cada povo (nação) tem o governo que merece”. A frase é creditada ao Conde Joseph-Marie de Maistre, um escritor, filósofo, diplomata e advogado. Seria então a classe política nada mais do que uma pequena amostragem do povo que governa?
Essa semana as redes sociais foram palco, mais uma vez, de uma guerra extremista e quase binária entre políticos e eleitores. Da parte dos políticos os holofotes ficaram para a declaração do Deputado Jair Bolsonaro e a cuspida de outro deputado, Jean Wyllys.
Por parte dos eleitores ou simpatizantes de ambos os parlamentares baixaram o nível do FLA X FLU e sobrou cusparadas digitais pra ambos os lados. Faltou debate adulto, civilizado e ponderado. Criticou-se tanto, mas prosseguimos com o discurso nocivo de divisão do país.
Defensores e críticos de ambos se digladiaram nas redes sociais. Começou até uma modinha de caráter duvidoso (falo sobre isso aqui) de gente pedindo para excluir a amizade de pessoas que curtiam a página de Bolsonaro. E gente que gosta de Bolsonaro pedindo o mesmo para quem curte a página de Jean Wyllys.
“Não brigue com seu amigo por causa da política. Depois os políticos se entendem, mas você perdeu um amigo”. Alon Feuerwerker
Quanta intolerância ouvimos e vemos por aí. Inclusive, sendo intolerante quem critica a intolerância dos outros.Veja o que escrevi sobre isso aqui
Aliás, surgiram vídeos de gente que se declara homossexual detonando Jean Wyllys e os da ala militar virando as costas para mais uma atitude polêmica de Bolsonaro.
Tenho acompanhado de longe as agressões mútuas de ambos os parlamentares. Uma boa parte da sociedade brasileira desaprova a atitude de ambos. Para essa parte, o que vale mesmo é lutar por um Brasil mais justo e sustentável. No caminho para isso, há divergências, caminhos diferentes, mas não se pode faltar com o RESPEITO, com a ética, com a ordem e o progresso estampado na nossa bandeira nacional.
“Por escolha ou omissão, o povo tem o governo que merece”. Rachel Sheherazade
Bolsonaro X Jean Wyllys
Em breve discurso antes de votar a favor da abertura do impeachment, o parlamentar exaltou o coronel Carlos Brilhante Ustra, um dos torturadores da ditadura militar, falecido no ano passado.
Já o parlamentar Jean Wyllys cuspiu no deputado Bolsonaro logo depois de ter votado contra o impeachment da presidente Dilma. Segundo Jean Wyllys ele foi xingado e ofendido por palavras homofóbicas. O vídeo que rola na Internet mostra que logo após o voto de Jean, Bolsonaro gritava “Tchau, querida” (termo que já havia virado meme na internet, referido-se a possível caída de Dilma). “Tchau Amor”.
A “briga” de ambos é antiga e mostra o nível do decoro e da ética parlamentar.
E pra fechar o picadeiro – sem ofensas aos verdadeiro palhaços (os do circo – Eduardo Bolsonaro, também deputado e filho de Jair Bolsonaro, devolveu a gentileza e cuspiu em Jean Wyllys.
Representatividade no parlamento
É certo que os deputados ganham votos de parcelas da sociedade de acordo com necessidades e interesses diferenciados, específicos. E isso é tem o seu lado bom e justo – alguns acertos nos desvios realizados durante anos precisam ser revistos e o caminho refeito. Mas esbarra também em complicações quando esses interesses são escusos e não levam em conta um projeto de desenvolvimento ou a soberania do país.



