Após ser aprovado no
concurso público para professor da rede estadual do Rio de Janeiro, João Carlos
Carreira Alves foi barrado no exame médico. “O médico alegou a surdez em si,
que isso seria um impeditivo para eu exercer o magistério”, conta. Ele recorreu
e acabou conseguindo assumir a vaga.
Ensinou geografia a estudantes surdos por quatro anos. “Um cego
passou pelo mesmo problema. Mas ele recorreu ao judiciário e consegui ser
contratado. Eu não tinha consciência nem que tinha o direito de ter direito”. Isso ocorreu em 1978.
De lá para cá,
segundo Alves, muita coisa mudou, mas ainda há barreiras a serem superadas para
ampliar a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. Essa é
uma das bandeiras lembrada no último dia 21 de setembro, Dia Nacional de Luta
das Pessoas com Deficiência. “No geral, a situação melhorou. Mas há muita gente esperta.
Porém, são espertezas dentro da lei. Por exemplo, muitos surdos são contratados
por somente quatro horas, que é o mínimo exigido por lei para contratação com
carteira assinada”, explica.
Hoje, aos 63 anos, Alves trabalha como analista de tecnologia da
informação. O que viveu aos 24 anos o marcou tanto que ele criou Comissão de
Luta pelos Direitos do Deficiente Auditivo. “No quesito acessibilidade, a
situação melhorou, mas falta atender os surdos que não falam e usam a língua de
sinais”, diz.




