Na última década, mais de 12 milhões de brasileiros foram
diagnosticados com dengue, doença transmitida por uma picada do Aedes aegypti.
Como se não bastasse, o mesmo mosquito começou a ser o culpado por outras
infecções no nosso país, como o zika e o chikungunya – e ainda há o temor de a
febre amarela, por ora restrita aos ambientes silvestres, migrar para as
cidades e ser mais um vírus que depende desse inseto para circular no meio
urbano.
Nesse verdadeiro cenário de guerra, surge uma nova estratégia
para combater essa ameaça tripla (quase quádrupla): a empresa BR3, do Centro de
Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) da Universidade de São Paulo
começou a vender recentemente o DengueTech, um comprimido que é colocado em
recipientes que tenham água parada, como vasos de plantas, calhas, flores
grandes e cascas de árvores.
Após algum tempo, o tablete se dissolve e libera uma série de
proteínas e bactérias da espécie Bacillus
thuringiensis israelensis, conhecida pela sigla BTI. Esse
micro-organismo mata as larvas do Aedes
que se aproveitam daquele espaço. “Esse agente biológico não agride o ambiente,
não permite que o mosquito desenvolva uma resistência à sua ação e ainda é
recomendado pela Organização Mundial de Saúde”, lista o engenheiro Rodrigo
Perez, da BR3.
O
produto, que já está aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, é
resultado de três décadas de pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de
Janeiro. “Eles fizeram um trabalho colossal de coletar e estudar inúmeras cepas
de bactérias da biota brasileira até descobrirem as potencialidades da BTI”,
destaca Perez. Após todo esse período na bancada do laboratório e uma série de
ensaios científicos, o composto está finalmente disponível para a população.




