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Quando estamos com tosse, é melhor cuspir ou engolir o catarro? Descubra agora!

Especialista explica como o corpo lida com o muco durante infecções e o que é mais eficaz (e seguro) fazer durante uma gripe ou resfriado

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aching ill slavic man with scarf around neck wearing winter hat wrapped in plaid coughing keeping fist close to mouth sitting on couch at living room
Pode parecer um tema esquisito, mas a dúvida entre cuspir e engolir o catarro é comum – foto Arquivo

 

“Considero um escarrador parte essencial do aparato do quarto.” Foi isso que escreveu, em 1821, o médico francês René Laennec, inventor do estetoscópio, que passava seus dias observando o catarro de seus pacientes.

Antes da existência dos raios-x e dos exames de sangue, o catarro era considerado uma ferramenta valiosa para diagnóstico.

Hoje, a maioria de nós não anda por aí com um escarrador. Mas uma pergunta persiste, especialmente no inverno, quando os narizes escorrem e os peitos congestionam: Quando estamos com tosse, é melhor cuspir o catarro ou engolir?

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Pode parecer um tema esquisito, até um pouco nojento, mas essa é uma pergunta surpreendentemente comum nos consultórios médicos.

O que é o catarro?

O catarro, também chamado de escarro, é o muco espesso e pegajoso produzido pelos pulmões e pela traqueia. Ele funciona como uma barreira de defesa para protegê-los.

Sua composição principal são as mucinas: proteínas grandes cobertas de açúcar que capturam vírus, bactérias, alérgenos e poeira.

Além disso, essas mucinas regulam a inflamação e a resposta imunológica do corpo contra infecções.

É mais comum vermos catarro durante doenças virais no inverno. Mas ele também está presente em condições como asma, alergias, infecções bacterianas (como sinusite), tabagismo ou exposição à poluição do ar.

Na verdade, estamos sempre produzindo catarro: mesmo quando estamos saudáveis. As células dos pulmões secretam muco para manter as superfícies úmidas e prender substâncias irritantes.

Quando encontramos algo potencialmente prejudicial, como um vírus ou alérgeno, as células imunológicas identificam a ameaça e liberam sinais que estimulam ainda mais a produção de muco.

Esse muco extra ajuda a capturar o invasor e a expulsá-lo dos pulmões. Pequenos cílios que revestem as vias aéreas varrem o muco até a garganta, onde ele é tossido ou engolido.

O argumento a favor de cuspir

Algumas pessoas se sentem melhor ao cuspir o catarro, especialmente quando ele está espesso, pegajoso ou incomodando a garganta.

Cuspir também permite ver o que está sendo expelido. Se houver sangue no catarro, por exemplo, é importante procurar um médico para investigar a possibilidade de doenças mais graves, como tuberculose ou câncer.

Se for cuspir, use um lenço descartável e jogue-o no lixo. Lave as mãos em seguida. Isso reduz o risco de transmissão de infecções por gotículas respiratórias ou superfícies contaminadas.

Por outro lado, cuspir nem sempre é prático ou socialmente aceitável. E, na maioria das infecções virais, isso não acelera a recuperação em relação a engolir o muco.

O objetivo é remover o catarro dos pulmões, e isso pode acontecer de qualquer uma das duas formas.

Além disso, crianças pequenas geralmente não conseguem cuspir, pois ainda não têm a coordenação necessária, por isso, engolem normalmente o catarro.

O argumento a favor de engolir

Pode não parecer agradável, mas engolir o catarro é um processo natural e inofensivo. Na verdade, fazemos isso com frequência sem perceber.

Os pulmões produzem cerca de 50 mililitros de catarro por dia. Isso passa despercebido porque ele normalmente é fino, mistura-se com a saliva e o engolimos constantemente. Só nos damos conta dele quando engrossa, como ocorre durante infecções virais.

Após engolido, o catarro vai para o estômago, onde o ácido e as enzimas o decompõem: junto com quaisquer germes que ele contenha.

Engolir catarro não “recicla” os germes nem espalha a infecção para outras partes do corpo.

Na verdade, engolir vírus pode até ajudar a fortalecer a imunidade. No intestino, células do sistema imunológico identificam fragmentos do vírus e começam a preparar o organismo para combatê-lo no futuro. Algumas vacinas, como a da pólio oral, funcionam exatamente assim.

Afinal, o que é melhor?

Cuspir ou engolir o catarro: os dois são seguros. Cuspir pode aliviar o incômodo para algumas pessoas, principalmente quando o catarro é espesso e causa desconforto.

Mas, para a maioria das pessoas saudáveis, não há necessidade de forçar a tosse ou cuspir. Engolir o catarro é totalmente seguro e, no caso das crianças pequenas, é a única opção viável.

No fim das contas, não vai fazer diferença se você cuspir ou engolir o catarro neste inverno. Então escolha o que for mais confortável (e menos nojento) para você.

Fonte: O Globo