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Quantas horas de sono? O que comer? Saiba como se preparar fisicamente para o Enem

Especialistas explicam que não há milagres: é necessário consumir alimentos equilibrados e ter boas noites de sono nos dias que antecedem a prova

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Black mixed race male student being busy with studying resting for minute eatting sandwich. Hungry student with dark skin working with books and laptop computer having lunch busy doing home assignment
Especialistas revelam como estudantes podem manter o corpo e a mente bem preparados com alimentação e descanso para as provas do Enem (Foto Freepik)

 

Faltando poucos dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), surge todo tipo de preocupação: devo revisar matérias nos dias anteriores ou descansar? Vale dobrar a dose de café para ter mais energia na hora da prova? E o que levar de lanche para consumir durante o exame?

A primeira parte da prova acontece neste domingo (9). Buscar estratégias de última hora para turbinar a concentração e o rendimento é um reflexo do nervosismo, que é natural na véspera do exame.

Mas não há fórmulas milagrosas: especialistas destacam que o mais importante é manter a alimentação equilibrada e ter boas noites de sono, para que o cérebro possa consolidar o que foi estudado ao longo do ano.

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O que comer antes do Enem?

A nutricionista Tatiana Palotta Minari, pesquisadora na área de crononutrição e sono, explica que, nos dias que antecedem o exame, o ideal é fazer refeições regulares e variadas. “Fontes de carboidrato como arroz, batata-doce, aveia e feijão fornecem energia de forma gradual e sustentada”, diz.

As proteínas magras, como ovos, frango e peixe, ajudam na síntese de neurotransmissores ligados ao foco e à memória.

Já alimentos ricos em ômega-3, como linhaça, chia e peixes como salmão e sardinha, têm efeito anti-inflamatório e favorecem a saúde cerebral.

Frutas e vegetais também são indispensáveis por serem fontes de antioxidantes e vitaminas do complexo B, que contribuem para o bom funcionamento do sistema nervoso.

“É recomendável evitar mudanças bruscas na dieta, porque o corpo e o cérebro funcionam melhor com previsibilidade”, orienta Tatiana.

Trio para controlar humor e ansiedade

A nutricionista Helena Queiroz acrescenta que alimentos que contêm nutrientes como triptofano, magnésio e selênio ajudam a manter o equilíbrio de neurotransmissores como serotonina e dopamina, que influenciam diretamente o humor e o controle da ansiedade.

Nas vésperas do Enem, o estômago pode estar mais sensível por conta da ansiedade. Nesses dias, é melhor fazer refeições leves e de fácil digestão, como arroz, verduras e legumes cozidos e uma carne magra. Também são recomendadas frutas, grãos integrais, ovos, soja e oleaginosas.

Tatiana alerta para alimentos ultraprocessados e muito gordurosos, como frituras e fast food, que podem causar sonolência, desconforto gastrointestinal ou até mal-estar.

Doces e comidas diferentes – fuja!

Fuja, também, de doces em excesso. Eles provocam picos de glicemia seguidos de queda, afetando o humor e a concentração, explica a nutricionista.

Helena reforça: “Evite consumir alimentos ou preparações que você não esteja acostumado a comer. Isso ajuda a prevenir reações indesejadas do organismo”.

Para quem é vegano, ela sugere opções simples como arroz integral com lentilhas e legumes, salada com abacate e sementes ou um prato de grão-de-bico com vegetais cozidos.

Uma sugestão de cardápio para os dias de prova, de acordo com as nutricionistas, é:

Café da manhã reforçado: pão integral ou tapioca com ovo ou queijo branco; uma fruta como banana ou maçã; iogurte natural ou leite, e café ou chá suave, se já for hábito;

Almoço simples (se houver tempo antes da prova): arroz, feijão, carne magra e legumes são opções seguras.

O que levar para comer durante a prova?

O lanche escolhido para levar para a sala de prova também merece atenção. São boas opções:

– Frutas frescas de fácil consumo, como banana, maçã, goiaba e uva;
– Frutas secas;
– Mix de castanhas;
– Sanduíches naturais (de frango ou atum);
– Chocolate meio amargo.

“Evite alimentos com cheiro forte ou que possam derreter”, alerta Tatiana. Para não atrapalhar a própria concentração e a de outros candidatos, fuja também de alimentos com embalagens barulhentas.

A nutricionista confirma que o chocolate meio amargo (até 70%), uma recomendação clássica para vestibulandos, é uma boa opção. Ele contém substâncias estimulantes, mas deve ser consumido com moderação.

“O chocolate pode causar picos e quedas rápidas de açúcar no sangue, o que nem sempre é benéfico para o desempenho prolongado”, acrescenta Helena.

Hidratação é essencial: não esqueça de levar uma garrafinha de água, que ajuda a manter o corpo ativo e a mente alerta.

Cuidado com o café: a cafeína é um estimulante que atua no sistema nervoso central. Em excesso, pode aumentar a ansiedade, a urgência para ir ao banheiro e prejudicar o sono. Sendo assim, deve ser consumida com cautela, especialmente na véspera e no dia da prova.

“Mantenha o padrão habitual e afaste as últimas doses do horário de dormir”, orienta o psiquiatra Arthur Danila, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.

Durma bem antes da prova

Falando em sono, Danila explica que o desempenho cognitivo do dia da prova é, em grande parte, construído na semana anterior.

O sono consolida a memória dos conteúdos estudados na fase NREM (responsável pelo descanso físico e reparo do corpo) e integra aspectos emocionais no REM (momento em que ocorrem os sonhos vívidos).

“Mesmo duas noites curtas já prejudicam a atenção sustentada, a velocidade de processamento e a autorregulação”, destaca.

O ideal, segundo ele, é garantir de 7 a 9 horas de sono por noite, com horários estáveis. Além disso, evitar “virar a noite” na véspera e, se necessário recorrer a sonecas, que sejam breves.

“Em síntese, a memória se fortalece à noite, e a prova apenas cobra o que o estilo de vida permitiu consolidar”, conclui o psiquiatra.

Fonte: G1