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Quer amenizar o cansaço e aumentar a energia? Resposta está nas plantas medicinais!

Especialistas indicam algumas espécies que podem auxiliar contra a fadiga. Confira as propriedades dessas plantas e os cuidados necessários

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A lavanda é uma das plantas amplamente usadas para relaxamento e bem-estar – foto Arquivo

 

Presentes em diversas culturas ao redor do mundo, as plantas medicinais — como ervas, raízes, flores e cascas — possuem compostos bioativos com propriedades terapêuticas reconhecidas.

Além de auxiliarem no alívio de dores, estresse e cansaço, essas espécies vêm ganhando espaço na medicina complementar, atraindo a atenção da ciência e da população em busca de alternativas naturais para a saúde.

Segundo especialistas, o uso correto dessas plantas pode ser eficaz na prevenção e tratamento de diversas condições, com menor risco de efeitos colaterais em comparação aos medicamentos sintéticos.

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“Estamos utilizando moléculas desenvolvidas pela própria planta para sua sobrevivência, agora aplicadas à nossa saúde”, explica a farmacêutica bioquímica Ana Flávia Marçal Pessoa, pesquisadora da Faculdade de Medicina da USP.

Os compostos dessas plantas atuam em receptores do organismo humano, gerando respostas que vão desde o relaxamento até o aumento da energia. Muitos medicamentos convencionais, inclusive, são desenvolvidos a partir dessas moléculas naturais.

Energizantes naturais e plantas adaptógenas

No combate ao cansaço e estresse, as chamadas plantas adaptógenas vêm se destacando. Elas aumentam a resistência do organismo frente a fatores estressores, promovendo equilíbrio interno.

Entre as mais conhecidas estão a Rhodiola rosea (raiz-de-ouro), Panax ginseng (ginseng) e Withania somnifera (ashwaganda), geralmente disponíveis em cápsulas ou comprimidos.

Outras espécies populares também auxiliam no fornecimento de energia, como o chá verde (Camellia sinensis), guaraná (Paullinia cupana), alecrim (Salvia rosmarinus) e valeriana (Valeriana officinalis).

A planta exótica Berberis spp., conhecida como barberry, é rica em berberina, um fitoquímico com propriedades estimulantes.

Relaxamento e alívio do estresse

No campo dos calmantes naturais, destacam-se espécies com efeitos ansiolíticos. A camomila, a erva-cidreira, o capim-limão, a lavanda e o maracujá são exemplos amplamente utilizados na forma de chás e óleos essenciais.

Outras espécies, como o cidrão (Lippia alba) e o alfavacão (Ocimum gratissimum), também contribuem para o alívio da fadiga.

Cultivo doméstico e preparo correto

Muitas dessas plantas podem ser cultivadas em casa. Para isso, é importante observar a sazonalidade, as condições de solo, luz e irrigação — fatores que afetam diretamente a produção dos compostos terapêuticos.

Segundo Ana Flávia, o horário da colheita também é essencial: espécies ricas em terpenos devem ser colhidas entre 9h e 11h da manhã, quando a concentração de ativos é maior.

O uso tradicional costuma ser por meio de infusões (chás), cataplasmas, gargarejos ou óleos essenciais. Folhas e flores, como as da erva-cidreira e camomila, devem ser preparadas por infusão — água quente a até 90 °C, sem ferver, e com abafamento por cerca de 10 minutos.

Já raízes e cascas mais rígidas, como a da cúrcuma ou valeriana, exigem decocção — fervura prolongada da planta em água.

Plantas como ginseng, guaraná e catuaba são geralmente consumidas em pó ou cápsulas. “O pó pode ser misturado com frutas ou sucos, especialmente açaí, ou ainda com mel, para suavizar o sabor”, recomenda a farmacêutica Jeane Nogueira.

Uso consciente e seguro

Embora naturais, as plantas medicinais devem ser usadas com cautela e responsabilidade. “É essencial tratá-las como medicamentos, respeitando dosagens, horários e duração do tratamento”, alerta Ana Flávia.

De acordo com o professor Gerson J. Rodrigues, da UFSCar, é preciso considerar o histórico de saúde de cada pessoa, possíveis interações com medicamentos convencionais e as condições individuais.

Plantas diuréticas, por exemplo, podem potencializar os efeitos de diuréticos farmacêuticos e causar hipotensão. Já pessoas ansiosas devem evitar plantas estimulantes, sob risco de piorar os sintomas.

A automedicação, mesmo com produtos naturais, é desaconselhada. “O uso incorreto pode gerar efeitos indesejados e até interações perigosas com medicamentos”, adverte a especialista em Fitoterapia Clínica, Patrícia.

O uso racional da flora medicinal exige informação e cuidado, mas, quando bem orientado, pode ser uma poderosa ferramenta de bem-estar e saúde preventiva — acessível, sustentável e profundamente conectada à sabedoria ancestral da natureza.

*Fonte: Casa e Jardim