
Eles não são uma novidade no Brasil, mas como as palavras de ordem são desapegar e empreender, os brechós – famosos na década de 1970 – voltaram a fazer sucesso, só que desta vez, online. Basta passear pelo Instagram ou Facebook para perceber algumas lojinhas virtuais, tudo feito sem gastar nada – e sem o custo adicional dos sites. Comprar roupas em um brechó sempre foi uma forma criativa de inovar tendências e, agora, essa prática dominou a internet. Em Franca, cresce o número de pessoas aproveitando esse boom para investir no segmento.
É o caso de Luciana Garcia, que dirige o Daluh Brechó. Há pouco tempo em operação, ele surgiu da ideia de seu antigo brechó, o Hot List, que tinha a mesma proposta: trabalhar na página do Facebook para vender suas peças novas. “O diferencial do Daluh é que as vendas online ocorrerão através do e-commerce no qual ainda estou planejando”, diz.
Apaixonada por redes sociais, Luciana ama comprar roupas através do Instagram, Facebook e sites famosos. “O crescimento de vendas virtuais está fazendo com que as pessoas fiquem em casa, comprando o que quiser com apenas um clique. E muitas lojas estão aderindo a isso”, observa a empreendedora. No entanto, ela acredita que não basta ter o site ou uma página em rede social para começar a vender. “Você precisa criar uma imagem bonita, boa reputação, investir em fotos nítidas, montagens legais e ter roupas que agradem seu público-alvo”, diz.

Com clientela em todas as classes sociais, os brechós atendem demandas diversas, do infantil ao plus size. Segundo Wilsa Sette, coordenadora de Varejo da Moda do Sebrae Nacional, embora todos os brechós trabalhem com o mesmo conceito – a venda de peças usadas a um preço mais acessível – muitos decidiram se especializar. Há os que vendem peças de grifes famosas, nacionais e internacionais em ótimo estado; outros preferem artigos masculinos; e há ainda aqueles que não se importam com etiquetas ou segmentos e preferem a venda em maior quantidade a preços bem baixos.
Iniciativa só aumenta
O maior interesse por comprar em brechós fez com que o segmento crescesse no e-commerce – hoje são cerca de 300 brechós virtuais no Brasil. Em Franca, estima-se que existam mais de 20.
Um deles é o Brechó dos Sonhos, que funciona desde dezembro de 2015 administrado por Rita Mara Silva e sua filha Isadora. E, diferente da maioria dos virtuais, ele também possui uma loja física. “Comecei o brechó com a estrutura física em um quartinho na casa da minha mãe. O movimento aumentou e passei para a sala. Não sendo suficiente, conforme a procura dos clientes de outras cidades, comecei a enviar via Correios”, conta Rita, que relaciona o sucesso do Brechó dos Sonhos às mídias sociais, uma vez que tornaram o brechó bastante conhecido.

A ideia de investir na prática do desapego surgiu por acaso: como compradora compulsiva, Rita sempre juntou muitas roupas que ficavam acumuladas no guarda-roupa sem serem usadas, até que decidiu fazer bazares. “Vi que deu certo e passei a comercializar roupas usadas de terceiros, dando prioridade e estilo da roupa”, diz.
Justamente por conta desse cuidado é que a estudante Lauriane Ferreira da Silva se tornou cliente do Brechó dos Sonhos. “Uma amiga me indicou a página no Facebook, gostei das peças e passei a frequentá-lo”, diz ela, que utiliza tanto a loja física quanto a virtual e diz nunca ter tido problemas, já que as peças estão sempre em ótimo estado. “São peças exclusivas, estilosas, de ótima qualidade e preços excelentes”, afirma Lauriane, que frequenta o Brechó dos Sonhos semanalmente e ressalta como um dos diferenciais o atendimento de Rita, simpática e atenciosa. “Além disso, o ambiente é muito organizado, acolhedor, deixando a todos sempre à vontade, sem contar o cafezinho especial”, afirma.

Valores em conta
Com uma infinidade de produtos, que vai desde acessórios para cabelos, bijuterias, sapatos a malas e chapéus, os brechós trabalham com preços que cabem no bolso da maioria das pessoas – as peças variam de R$ 3 a R$ 90. Dados do Sebrae dão conta que os brechós movimentam R$ 5 milhões por ano no país, seja na formato de loja física ou virtual, com as peças oferecidas em redes sociais.
Foi o valor em conta um dos motivos que fez a atendente Ana Carolina Miquelini, 20 anos, a experimentar a compra em brechó. “Nunca fui de comprar em brechós, até porque não via nada parecido na internet. E quando vi resolvi experimentar e acabei gostando muito”, conta.

Cliente há dois anos do Daluh Brechó – quando este se chamava Hot List Brechó, Ana Carolina destaca as vantagens de se comprar nesse tipo de loja: roupa de qualidade e preços baixos. “É mais prático comprar através de brechós virtuais, pela comodidade que oferecem”, diz.
Esse tipo de negócio colabora não apenas com a economia, mas com a sustentabilidade. A partir do momento em que você escolhe vender o que já não utiliza mais, faz com que essa peça não seja descartada. Reutilizar uma peça de roupa, um armário, sapato, carrinho de bebê, ajuda a economizar em momentos de aperto ou ganhar um dinheiro extra, comprovando que essas alternativas, para quem quer unir economia e sustentabilidade, além de liberar espaço no armário, vieram para ficar.



