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Reinfecções pelo novo coronavírus já ocorrem e preocupam autoridades

Após Hong Kong, Holanda e Bélgica registram possíveis casos de reinfecção do novo coronavírus

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O novo coronavírus ainda causa mais dúvidas do que certezas. Com o anúncio dos primeiros casos de infecção em dezembro do ano passado, na China, até agora pouco se sabe sobre o vírus causador da pandemia de covid-19 que assustou o mundo e fez todos países andar para trás, principalmente em termos econômicos.

Agora surgem informações de que já existem três casos de pacientes que haviam se curado da covid-19 serem reinfectados pelo novo coronavírus.

Cientistas da Holanda e da Bélgica afirmam que mais dois pacientes, um em cada país, foram reinfectados pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), noticiou a imprensa holandesa nesta terça-feira (25). O relato dos dois casos europeus acontece um dia depois que cientistas de Hong Kong confirmaram o primeiro caso de reinfecção.

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O paciente holandês era um idoso com sistema imunológico enfraquecido, afirmou a virologista holandesa Marion Koopmans, segundo a emissora NOS. O governo holandês ainda não se pronunciou sobre o caso.

Para que uma recontaminação seja confirmada, é preciso provar que o código genético do primeiro vírus é diferente do segundo. Isso foi feito no caso de Hong Kong, e, segundo a emissora NOS, também parece ser o caso da Holanda.

Koopmans lembra que infecções das vias respiratórias, como a Covid-19, podem ocorrer duas ou mais vezes, e elas induzem uma resposta imune clara: a questão, agora, é saber quanto tempo essa imunidade dura em média, avalia a virologista.

Pacientes com sintomas mais graves desenvolvem, com frequência, mais anticorpos que aqueles com sintomas leves, segundo ela. “Só porque você desenvolveu anticorpos não significa que está imune”, alertou a virologista em entrevista à emissora NOS.

Bélgica
Na Bélgica, a paciente é uma mulher que se infectou pela primeira vez em março e pela segunda vez em junho. A emissora NOS afirmou que a paciente belga apresentou apenas sintomas leves.

Segundo o virologista Marc Van Ranst, o código genético do vírus foi identificado em ambas as infecções. “Existem, de fato, diferenças suficientes para se poder falar de outra infecção”, disse.

Segundo Van Ranst, é possível que as pessoas que contraem o vírus sejam simplesmente mais suscetíveis ao vírus. “Talvez haja muito mais pessoas que, depois de seis ou sete meses, possam ter uma reinfecção”, afirmou.

Hong Kong
Pesquisadores da Universidade de Hong Kong anunciaram na segunda-feira (24) que um homem de 33 anos, aparentemente saudável, foi infectado duas vezes pelo novo coronavírus em um intervalo de 4 meses e meio.

Ao ser contaminado pela 1ª vez, o paciente teve apenas sintomas leves; na segunda vez, nenhum sintoma. A análise do código genético do vírus mostrou que o vírus da segunda infecção pertencia a uma linhagem diferente da primeira.

‘Possível’
A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirmou que a reinfecção é possível, mas que os casos de reinfecção pelo novo coronavírus não parecem ser comuns. “É um caso documentado em mais de 23 milhões. E provavelmente veremos mais casos, mas parece não ser um evento regular”, afirmou a porta-voz Margaret Harris sobre o caso em Hong Kong.

Na terça, ao comentar o caso de Hong Kong, a líder técnica da OMS, Maria van Kerkhove, afirmou que, segundo o que se sabe até agora, todos que são infectados pelo Sars-CoV-2 desenvolvem algum nível de imunidade contra ele – a questão é saber o quão protetora ela é e por quanto tempo dura.

O surgimento de casos comprovados de reinfecção alimenta temores sobre a eficácia das vacinas que estão em teste, embora os especialistas digam que seria necessário haver muito mais casos de reinfecção para que eles se justificassem.