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‘Saudade até de Evidências’, diz dona de karaokê fechado há um ano com a pandemia

Se a situação é difícil para os empresários, sem faturamento, os clientes cativos também sentem saudade da euforia e das cantorias.

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Desde o início da pandemia os karaokês em bares e restaurantes estão sem poder funcionar

“Já cheguei a ouvir 14 vezes numa noite só, porque cada grupo quer cantar a sua Evidências. Mas, agora, estou até com saudade”, diz Mônica Uezono, proprietária do restaurante Samurai, tradicional reduto de karaokê da capital paulista, no bairro da Liberdade.

Ela faz referência a Evidências, música de 1989, que se tornou hit na voz da dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó, e que é a mais cantada dos karaokês do Brasil.

Como diversos bares e restaurantes da cidade que oferecem o karaokê como atração para seus clientes, o Samurai convive desde março de 2020 com microfones silenciosos e uma forte queda de faturamento, devido à impossibilidade de se cantar em segurança em ambientes fechados em meio à pandemia do coronavírus.

Após demitir ao longo do ano passado todos os seus 14 funcionários, Mônica mantém o negócio atualmente apenas com a ajuda da filha, vendendo marmitas por delivery.

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Outros estabelecimentos não tiveram a mesma resiliência e fecharam as portas permanentemente, caso da Chopperia Liberdade, outra casa de karaokê tradicionalíssima de São Paulo, que demitiu todos os funcionários e devolveu o imóvel alugado, também na Liberdade.

Pior crise em 52 anos de história

Segundo Mônica Uezono, dona do restaurante Samurai, a crise do coronavírus é a mais grave dos 52 anos de história de restaurante.

“O restaurante Samurai foi fundado pelos meus pais em 1969”, conta Mônica à BBC News Brasil.

“Passamos por várias crises, a mais recente, antes da pandemia, foi quando surgiu o rodízio japonês, quando se perdeu toda aquela delicadeza da culinária japonesa, em que cada ingrediente que vai no prato para ser servido à mesa tem um significado.”

“Tivemos a crise do salmão, quando devido a um parasita as pessoas ficaram com medo de comer peixe cru”, lembra a proprietária.

“Antes disso, tivemos também a crise da cólera, que afetava peixes de água doce, mas, por falta de conhecimento de que nós trabalhamos só com peixe de água salgada, fomos afetados do mesmo jeito.”