A vacina contra HPV, oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pode prevenir os cânceres do colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe, refletindo diretamente na redução dos casos de HPV, e também nas mortes provocadas pelo vírus.
Atualmente, a dose está disponível de forma gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) para meninas de 9 a 14 anos e para os meninos de 11 a 14 anos.
Mesmo assim, a cobertura estadual da vacina ainda está baixa. Os últimos dados epidemiológicos mostram que, para a segunda dose, a cobertura é de 51,8% em meninas e 0,11% em meninos, valores muito aquém da meta estabelecida de 80%.
Uma das causas atribuídas é que o assunto suscita muitas dúvidas entre mães, pais e adolescentes, sobretudo na internet. Inclusive, têm surgido vários grupos nas redes que, por desinformação ou ignorância, não fazem uso das vacinas ofertadas no Calendário Nacional de Vacinação, o que pode ocasionar danos à saúde individual e a saúde coletiva.
Os principais debates levantados são de que a vacina contra o HPV estimularia um comportamento sexual de risco.
Há, ainda, informações equivocadas, como a de que a vacina pode ter reações adversas severas, ou a de que, depois da vacina, não é necessário utilizar preservativo nas relações sexuais.
Ou, ainda, de que a imunização não previne em 100% o HPV. O adolescente tem uma resistência em relação à vacina (pelo fato de ser injetável), desinformação das inúmeras doenças que elas protegem, tabus acerca da sexualidade e do câncer.
A vacinação do adolescente não é uma dificuldade apenas no Brasil, mas também no mundo inteiro.
Ampliação
Recentemente, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica ampliando o grupo prioritário da vacinação para pessoas de 15 a 26 anos, nos munícipios que estejam com lotes da vacina que irão vencer em setembro de 2017 e em janeiro, fevereiro e março de 2018.
Diante disso, a orientação aos municípios é para que disponibilizem a vacina para o público ampliado somente após fazer uma busca ativa entre o público convencional.
Se após priorização ainda restarem estoques, a vacina poderá ser administrada em indivíduos de ambos os sexos na faixa-etária de 15 a 26 anos de idade, em três doses (0-2-6 meses).
O HPV é transmitido por contato direto com uma pessoa infectada, sendo que a principal forma de transmissão é por via sexual, que inclui contato oral-genital, genital-genital ou mesmo manual-genital.
Em 2014, o Ministério da Saúde introduziu no Calendário Nacional de Vacinação a vacina quadrivalente contra o papilomavírus humano (HPV), tendo como objetivo principal a redução do câncer do colo do útero nas mulheres.
Nos meninos, diversos estudos têm demonstrado o papel importante da vacina HPV na prevenção do câncer anal, de pênis, orofaringe e verrugas genitais.
Além disso, por serem os responsáveis pela transmissão do vírus para suas parceiras, os homens, ao receberem a vacina, colaboram com a redução da incidência do câncer do colo do útero e vulva nas mulheres, prevenindo também casos de cânceres de boca e orofaringe, bem como verrugas genitais em ambos os sexos.
Há também outras formas de prevenção do HPV. Além da vacina, é importante utilizar preservativo feminino ou preservativo masculino e realizar o exame Papanicolau anualmente para as mulheres que possuem vida sexual ativa.
O que é o HPV?
O HPV é causado pelo Papiloma Vírus Humano. Seu contágio é preferencialmente, por via sexual e a principal consequência são doenças oncológicas provenientes da infecção.
A infecção pelo HPV é uma das IST mais frequentes no mundo. O risco estimado para a exposição a essa infecção é de 15% a 25% a cada nova parceria. Em grande parte dos casos, a infecção é autolimitada e transitória, sem causar qualquer dano.
A maioria das pessoas que entram em contato com o HPV, se não desenvolverem lesões clínicas (ex.: verrugas anogenitais) e não realizarem testes laboratoriais, poderão nunca ter a infecção diagnosticada.
Aproximadamente, 1% a 2% da população apresentam verrugas genitais e 2% a 5% das mulheres apresentam alterações do Papanicolau provocadas por infecção pelo HPV. A prevalência é maior em mulheres jovens, quando comparadas com mulheres com mais de 30 anos.



