Há situações difíceis de serem compreendidas em Franca. A Prefeitura teve que demitir 215 servidores comissionados, em atendimento a uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo.
A partir daí, duas constatações ficaram claras: uma é que os comissionados têm sua importância e, sem eles, a administração terá problemas. Outra é que passou da hora de se deixar de lado as gambiarras jurídicas para se fazer um projeto que, de fato, esteja dentro da legalidade e permita a nomeação de cargos de confiança.
Conhecedor da lei e gestor da área, o secretário de Recursos Humanos de Franca, Alberto Donha, que também é juiz de Direito aposentado, deu a sua contribuição. Em suas horas de folga, ao invés de descansar ou investir no lazer, elaborou um projeto que legaliza a criação dos cargos – após passar pela Câmara.
A equipe técnica de Gilson de Souza (DEM) achou pequenas retificações a serem feitas no projeto, todas saneáveis. Mas a opção da administração foi de deixar de lado o trabalho de Donha e seguir na atual situação, ou seja, sem saber o que fará para recriar os cargos.
Uma pessoa próxima ao gabinete afirmou que Gilson tem sido pressionado pelo vereador Corrêa Neves Júnior (PSD), seu líder informal e conselheiro político – mesmo estando no primeiro mandato – a contratar uma empresa para que esta elabore o projeto de lei.
No próprio entorno de Gilson, a ideia desagrada por vários fatores, como o fato de Donha já ter feito o projeto, os gastos que serão necessários para terceirizar o serviço, o desconhecimento da realidade de Franca, uma vez que a empresa pode ser de outra cidade, o tempo que se gastará com a contratação da empresa e a elaboração e tramitação do projeto, entre outros problemas.
Enquanto isso, as escolas estão sem diretores e setores da Prefeitura estão com o funcionamento comprometido. Além do que, a postura para com o secretário Donha vem sendo, no mínimo, deselegante.



