
A Organização Mundial de Saúde (OMS) já declarou que a obesidade é uma epidemia mundial. Inclusive, atualmente, mais de 640 milhões de pessoas no mundo têm no momento o peso de obesas, e o planeta tem mais pessoas acima do que abaixo do peso, de acordo com uma análise das tendências globais do índice de massa corporal (IMC).
Um aumento alarmante nas taxas de obesidade nos últimos 40 anos significa que o número de pessoas com IMC maior que 30 aumentou de 105 milhões em 1975 para 641 milhões em 2014, constatou o estudo. Mais do que um em dez homens e uma em sete mulheres são obesos.
No Brasil, a situação também preocupa. Segundo um levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 82 milhões de pessoas estão com o índice de Massa Corpórea (IMC) igual ou maior que 25 – o que caracteriza sobrepeso ou obesidade. Apesar de Franca ainda não ter estudos acerca do tema, estimativas apontam que os índices de pessoas obesas e com sobrepeso na cidade – na análise por gênero, os homens apresentam um percentual um pouco maior, 54,9%; entre as mulheres, 50,4% estão com excesso de peso – não diferem das demais cidades do estado de São Paulo, onde o número de obesos é considerado um dos mais altos do pais, e preocupam cada vez mais profissionais da área da saúde.
Uma projeção da OMS aponta que em 2025, cerca de 2,3 bilhões de adultos estarão com sobrepeso e mais de 700 milhões, obesos. O número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo pode chegar a 75 milhões, caso nada seja feito.
O IMC é calculado pela divisão do peso de uma pessoa em quilos pelo quadrado da sua altura em metros. Ele indica se uma pessoa tem peso saudável. Um IMC de 25 significa acima do peso. Um de 30 significa obeso, e 40 é obeso mórbido.
Os hábitos, grandes vilões

O comportamento das pessoas na atualidade e os maus hábitos são os grandes vilões no aumento do peso. “Nos últimos anos houve um grande aumento do consumo de alimentos calóricos e ricos em gorduras, sal e açúcar, mas pobres em vitaminas, minerais e outros micronutrientes e em contrapartida uma grande redução de atividades físicas, por isso o aumento assustador nos índices de sobrepeso e obesidade”, conclui Luís Augusto Mattar, cirurgião bariátrico.
Segundo a psicóloga da obesidade Alessandra Mattar, para as pessoas que já superaram o IMC de 25 é importante o alerta: “A obesidade não tem cura. Podemos ter controle sobre ela e ter um bom resultado a médio e longo prazo no tratamento construído com ajuda de uma equipe multiprofissional. Porém, para o tratamento ser bem sucedido, precisa basear-se em uma mudança real nos hábitos de vida. Então vamos começar agora!”, orienta.
A obesidade infantil

E o problema tem começado cada vez mais cedo. Alerta divulgado ontem pela Organização Mundial da Saúde informa que a obesidade infantil atingiu níveis alarmantes em todo o mundo, e se tornou um pesadelo particular para as crianças de nações do Terceiro Mundo, como o Brasil.
Segundo a pesquisa, 41 milhões de crianças com até 5 anos de idade sofrem de obesidade ou estão com sobrepeso em 100 países. Em 1990, esse total era de 31 milhões, segundo a OMS.
De acordo com os autores do documento, se o problema não for imediatamente encarado como uma questão de saúde pública, “a epidemia de obesidade poderá reverter muitos dos benefícios para a saúde que contribuíram para o aumento da longevidade observado no mundo”, apontam os pesquisadores.
Para os especialistas, é essencial que as famílias compreendam que culpa da obesidade não é das crianças. “Essa é a nossa mensagem principal. Que a culpa não é das crianças”, disse à imprensa o copresidente da comissão redatora do texto, Peter Gluckman.
Para elaborar o relatório, os pesquisadores da OMS estudaram durante dois anos crianças de 100 países. “A obesidade infantil é uma armadilha explosiva nos países em desenvolvimento”, resumiu Gluckman.
Números preocupantes
Ao comparar dados dos anos 90 com os números do século XXI, os pesquisadores identificaram um aumento de 32% no percentual de crianças obesas entre 1990 e 2014.
Como recomendação, a Comissão criada para acabar com a obesidade infantil quer que os governos implementem programas que promovam o consumo de alimentos saudáveis e, ao mesmo tempo, criem projetos de reeducação alimentar focados na conscientização das famílias.
Uma das propostas feitas pela OMS foi a criação de impostos sobre bebidas feitas com muito açúcar, como os refrigerantes e, a proibição do marketing de alimentos pouco nutritivos e saturados de gordura trans.
Diante deste cenário, no dia 11 de outubro é celebrado o Dia Nacional de Prevenção da Obesidade. Nesta data, várias atividades são realizadas em todo o país para alertar as pessoas sobre a importância de manter uma rotina saudável.



