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Sem apoio da Prefeitura, Casa do Pão do Jardim Luiza I fecha as portas

Entidade fazia trabalho voltado a jovens carentes no bairro há quase duas décadas

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A Casa do Pão, entidade assistencial instalada no Jardim Luiza I, anunciou no último dia 31 de agosto o encerramento de suas atividades no projeto Convivência e Fortalecimento de Vínculos.

O projeto existia havia 18 anos e já atendeu a milhares de crianças e adolescentes, oferecendo atividades que os mantivessem ocupados no contraturno escolar e longe da convivência com atividades ilícitas, como o consumo e venda de entorpecentes – problema crônico na região do Jardim Luiza.

Atualmente, cerca de 200 crianças contavam com este atendimento, que incluía aulas de informática, jogos, teatro, ballet, maquiagem, grafite, kung fu e capoeira, além da oferta de alimentação aos participantes do projeto. Além do projeto Soltando a Voz, que incentivava a prática musical de violão, guitarra, teclado e percussão.

A Casa do Pão, para manter todo este trabalho, contava com subvenção do governo municipal. No ano passado, os vereadores destinaram, via emendas impositivas, valores para a entidade. Mas o prefeito Gilson de Souza (DEM) não cumpriu com as emendas, já previstas no orçamento, alegando “problemas técnicos”. 

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Não é um caso isolado, pois diversas entidades, muitas ligadas a instituições religiosas, também ainda não receberam. A Pastoral do Menor, do Jardim Aeroporto III, que atende a outras 150 crianças, chegou a fazer um protesto no Paço Municipal e ameaçou parar as atividades. 

Nirley de Souza (PP), vereador e irmão de Gilson, disse que a diretoria da Casa do Pão decidiu não mais aceitar as verbas para este ano – se é que seriam pagas – para se adequar e voltar no ano que vem. E o que dizer para as centenas de crianças e famílias que deixam de contar com as atividades e a alimentação oferecidas no local?

A resiliência de Gilson em não pagar as emendas impositivas poderá trazes a ele não só o desgaste político, que já é evidente, mas também problemas com o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo e com a Câmara, que já articula instaurar uma Comissão Processante contra Gilson.

Quem sabe se, assim, o prefeito não se sinta tocado e dê o devido apoio às entidades, já que a falta de assistência a crianças carentes não conseguiu esse objetivo. 

“Agora chegou setembro empoeirado e a Casa continua no Luiza. Resta-nos esperar, aguardar a chuva. Esta lavará os telhados, as ruas e as almas e nos trará um novo amanhã como folha limpinha para escrevermos uma nova estória”, diz carta enviada pela Casa do Pão. Para os bons entendedores, não é preciso dizer mais nada.

Cesar Colleti

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