
A medida antidumping, criada em 2010 para tentar inviabilizar o comércio de produtos importados a baixos custos no Brasil, pode ser extinta em 2016. Essa possibilidade tem deixado representantes de polos calçadistas em alerta.
Em Nova Serrana (MG), segundo o vice-presidente do Sindicato da Indústria do Calçado de Nova Serrana (Sindinova), Júnior César Silva, a decisão pode gerar demissão em massa de funcionários das fábricas.
Ainda segundo Silva, o município é um dos polos que mais sofrem com o dumping, que é o comércio de produtos importados, já que o tipo de calçado que é produzido na cidade, os esportivos por exemplo, são muito similares aos calçados chineses.
“Para se ter uma ideia, em 2004 o calçado que era exportado custava cerca de US$ 6,50, o importado era US$ 5,50. Hoje os que são exportados custam US$ 15 dólares e o importado custa US$ 7,50. Além disso tudo, ainda temos que lidar com a crise econômica enfrentada pelo Brasil”, explicou.
O representante do Sindinova também pontuou que a principal função da medida é proteger o mercado interno dos produtos com concorrência desleal. Uma vez que a produção, impostos e condições de trabalho dos chineses são diferentes.
“A extinção dessa medida pode gerar uma demissão em massa de funcionários das fábricas de todo Brasil, principalmente em Nova Serrana, pois o custo para a produção nacional será muito superior.
Em muitos casos a antidumping inviabiliza a exportação. Se acontecer a extinção vamos começar a concorrer no mercado interno com produtos que são produzidos com um custos muito menores”, destacou.
Medida antidumping
A medida prevê que cada par de calçados importado da China seja tarifado em US$ 13,85. Além disso, ainda é cobrado o imposto de importação que é 35% do valor unitário do produto.
“Ou seja, um tênis, por exemplo, que custaria US$ 10 sairá por US$ 26 com todos os impostos. A medida inviabiliza essa importação em massa”, disse.



