O setor da construção é um dos principais motores para dar impulso à retomada do crescimento da economia. A participação dessa cadeia no Produto Interno Bruto (PIB) que chegou a 12% entre 2012 e 2014, passou para 7,9% em 2018, em razão da crise e da paralisação de diversas obras por todo o país. Para voltar ao patamar anterior e, assim, atender as demandas sociais e de expansão econômica sustentada do país, o estudo “Obras Paradas: desperdício de recursos e futuro”, divulgado na 13ª edição do Congresso Brasileiro da Construção (ConstruBusiness), realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta segunda-feira (2/12), indica que R$ 981 bilhões por ano devem ser investidos até 2030.
São R$ 518,7 bilhões em desenvolvimento urbano (habitação, saneamento e mobilidade urbana); R$ 264,7 bilhões em infraestrutura econômica (logística e transportes, energia e telecomunicações); e R$ 197,6 bilhões em outras obras e serviços auxiliares da construção. Esse investimento de quase R$ 1 trilhão, projetado com base na evolução demográfica, formação de famílias e necessidades em desenvolvimento urbano e infraestrutura econômica, considera também a aquisição de máquinas, equipamentos entre outros itens.
“Se conseguirmos investir 12% do PIB por ano em construção, o país crescerá 3% anualmente de forma sustentada, gerando riqueza e os milhões de empregos de que tanto precisamos”, diz o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Segundo o estudo, os quase R$ 1 trilhão farão a cadeia produtiva alcançar 14,4 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos. No primeiro semestre deste ano, os investimentos em obras atingiram 74% do patamar desejado. Mas o entendimento é que a retomada da área de habitação já está em curso e a de infraestrutura deve ganhar velocidade em 2020 e 2021 em função da melhoria do ambiente de negócios, da agenda de concessões e parcerias público-privadas, de novas licitações, dos juros baixos e mais recursos privados.
Em termos de despesas em construção por habitante, o estudo aponta que o Brasil registrou valores bastante inferiores a outros países. Enquanto a média dos países selecionados pelo estudo investia US$ 4.053,35 por habitante, o Brasil investia US$ 1.275,55, ou seja, quase um terço da média da amostra. Entre os países em desenvolvimento, o México registrou investimentos em construção de USS 2.282,87 per capita, e o Chile, de US$ 3.082,18. Portanto, é clara a necessidade de, ao menos, recuperar as condições econômicas para voltar a investir um volume compatível com a trajetória de longo prazo que foi interrompida em 2014.




