Imagine um espaço voltado para a arte, em sua maneira mais pura e crua. Portões abertos, paredes decoradas, jardim florido, lixo transformado em arte. Imagine pessoas, muitas pessoas… Negras, brancas, pardas, ricas ou pobres. Imagine respeito, tolerância, amor ao próximo.
Imagine agora shows nos quais as bandas e artistas têm liberdade para se expressarem e cantarem seus pensamentos e sentimentos através da música. Pense em debates, espaço para discutir e aprender mais sobre questões que não estampam os jornais todos os dias. Intervenções artísticas, oficinas, workshops, com questões, assim, “alternativas”…

Ainda que pareça mentira, esse cenário existe sim. E bem pertinho de você. Trata-se do Shake Shake Shake, espaço cultural responsável por promover a cena underground e, principalmente, a cena autoral, em Franca.
O ponto, localizado à Rua Tiradentes, 1611, Centro (local de muita acessibilidade), surgiu da necessidade da cidade entrar de vez no circuito cultural independente. Idealizado por Eliara Alves, o espaço existe oficialmente desde agosto deste ano, embora as ações artísticas já tenham sido iniciadas há um ano e meio.

“O objetivo com a abertura da Shake era um só: conseguirmos unir bandas, artistas autorais, intervenções artísticas, sarau, tudo isto dentro um único espaço. A Shake funciona como Ponto de Cultura ou Espaço Cultural, onde cabem todos os sonhos. Neste espaço, podemos levar debates, workshops, oficinas, shows… e foi assim que começamos, com um cardápio para Franca e região, um cardápio cultural e principalmente de acesso”, explicou a responsável pela iniciativa.

A Shake tem um liquidificador como seu símbolo e a explicação não poderia ser mais óbvia e funcional, em consonância com o nome do espaço: “acreditamos que a mistura é que dá certo, coloca-se um pouco de tudo lá dentro, bate bem, mexe bem e pronto. Shake é isto, com muitos sabores, muita diversidade. A principio é estranho, mas, aos poucos, as pessoas vão se acostumando. Coloca-se mais um ingrediente ali, outro acolá e vamos experimentando a vida, nos experimentando”, esclareceu Eliara.
Segundo ela, a Shake é, em um raio de 400 km, o único espaço em que só se apresentam exclusivamente artistas autorais. Já passaram pelo palco da Shake grandes nomes nacionais e internacionais, como Di Melo, Karol Conka, BNegao, RapDura, Dois Africanos, Garotas Suecas, Clube dos Bagres, Magma Safari, Aeromoças e Tenistas Russas, Bonde do Rolê, Inky, entre outras.

E o trabalho não para por aí. A intenção é trazer mais atrações ainda neste ano, mesmo sem o apoio financeiro de nenhuma instituição. “Estamos fazendo tudo na raça, com muita luta e com muito amor”, disse Eliara.
Hoje, a Shake é um espaço independente e que busca promover a quebra de paradigmas, questionamentos e uma nova forma de olhar o mundo, além da valorização de culturas e expressões artísticas. “A Shake pretende ficar muitos anos nesta condição que visa ao artista brasileiro, que dá acesso a todos. Quando falamos em acesso é por que a Shake abre mesmo as portas para todas as questões. No Espaço já aconteceram muitos encontros, entre eles o Coletivo Negro de Franca, Movimento Feminista de Franca, Neda (Unesp), tivemos oficinas, de luminárias, customização de camisetas, yoga, capoeira, gafieira, culinária…”, afirmou.

Na condição de se apresentar com uma proposta diferenciada, e com atrações nada convencionais, a Shake já foi alvo de preconceitos. “Tudo que é novo acaba encontrando certa resistência das pessoas. Nós também passamos por isso, mas somos persistentes e seguimos a diante. Avante!”, finalizou Eliara.
A cidade agradece…



