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​Sindifranca faz uma análise pessimista do quadro de emprego na área calçadista

Mês de julho teve menor número de empregos nas fábricas nos últimos 13 anos, diz Sindifranca

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O Sindicato da Indústria de Franca – Sindifranca – que reúne o setor empresarial calçadista da cidade publicou uma análise pessimista do quadro de emprego na cidade, baseando-se nos dados estatísticos do Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho.

“As recentes estatísticas publicadas pelo Ministério do Trabalho não nos deixam muito animados. Temos hoje 22.655 trabalhadores na Indústria calçadista de Franca.

Para o mês de julho, esse número é o menor nos últimos 13 anos. Ao mesmo tempo, quando comparamos a evolução do saldo CAGED (entre empregados e desempregados), vemos que este mês o setor contratou 137 funcionários a mais.

O resultado é melhor do que o registrado no mês anterior (junho 2016) que foi de 60 admissões.  E melhor do que o que vimos em julho de 2015, quando o setor fechou 68 postos de trabalho.

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Os números, no entanto, mostram um efeito “falso-positivo” nas estatísticas. Isso porque quando colocadas na ponta do lápis, a criação de postos de trabalho registrada nos últimos sete meses (4.916 vagas) ainda não recoloca o total de trabalhadores demitidos no último trimestre de 2015 (6.856 funcionários). A diferença é significa que há 1.938 sapateiros desempregados desde janeiro.

Pelo movimento de mercado e de contratações neste ano, notamos que este ano tem se mostrado atípico e com movimentação setorial oposta a de 2015. Isso porque no ano passado neste período já registrávamos demissões e caminhávamos para a sazonalidade (quando, em novembro e dezembro, as empresas têm o número de pedidos reduzido e demitem parte dos funcionários para não os manter parados nas esteiras, ao mesmo tempo em que reduzem o passivo trabalhista).

Hoje, ao contrário, estamos vivendo um momento de estagnação ou, talvez, um processo de recuperação muito lento – demostrado pelo saldo CAGED positivo para julho deste ano.

Uma estagnação que deriva da crise político-econômica deflagrada no Brasil no início de 2014.

Desde então e, portanto, nos últimos dois anos, assistimos a delapidação da nossa produção. Em 2013, alcançamos nosso ápice de produção com 30.381 trabalhadores.

De lá para cá, vimos os postos de trabalho serem eliminados paulatinamente e com eles a pujança de nosso negócio.

A redução de empregos reflete diretamente na produção. Em 2013 produzimos 39,5 milhões de pares, número recorde para nosso polo calçadista. Em 2016, a estimativa é de que fechemos o ano com 27,9 milhões de pares.

A diminuição de produção, por sua vez, afeta diretamente o faturamento das empresas e esses 11,6 milhões de pares a menos amontam um prejuízo de R$ 69,6 milhões (considerado o preço médio de R$ 60,00 o par).

Apesar do cenário descrito acima, continuamos com esperança de que possamos fechar o ano – no melhor cenário, mais otimista – com uma média de 23.839 funcionários, a mesma de 2015.

Aguardamos que a resultado do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff nos dê esperança de mudanças na economia, com a adoção de medidas mais rígidas e necessárias para o desenvolvimento do país, e reequilíbrio das contas do governo com vistas à retomada da economia em 2017

Sobre as exportações

Um câmbio que desvalorize a moeda brasileira frente ao dólar é sempre bom para as empresas exportadoras que fazem parte de nosso polo calçadista.

No entanto, a oscilação que tem ocorrido não trouxe nenhum benefício ao setor, muito pelo contrário. Quando comparamos de janeiro a julho deste ano com o mesmo período de 2015, vemos que acumulamos uma queda de 0,97% (nº de pares) nas exportações.

Quando calculamos as perdas em dólares, o número chega a menos 18,92%. Os ganhos que poderíamos ter com a desvalorização de nossa moeda, se perde com o custo Brasil.

Franca exportou até julho deste ano 1,95 milhões de pares, U$ 40,3 milhões. Até o fim deste ano, esperamos que com o quadro político definido, o governo federal possa construir uma política de exportação duradoura e um dólar estável para incentivar as vendas ao mercado externo”.

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região