Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF)
decidiu na última quinta-feira, 1º de março, autorizar transexuais e
transgêneros a alterarem o nome no registro civil sem a realização de cirurgia
de mudança de sexo. O julgamento começou na quarta-feira, 28 de fevereiro,
quando já havia maioria de votos definindo a questão, e foi finalizado no
início da tarde da quinta-feira, com os votos restantes.
Com
a decisão, o interessado poderá se dirigir diretamente a um cartório para
solicitar a mudança e não precisará comprovar sua condição, que deverá ser
atestada por autodeclaração. A Corte não definiu a partir de quando a alteração
estará disponível nos cartórios.
Apesar
de a votação ter sido definida por unanimidade, a Corte divergiu em parte do
voto do relator, ministro Marco Aurélio. Na sessão, o ministro votou contra a
obrigatoriedade da cirurgia, mas, conforme seu entendimento, a decisão valeria
somente para transexuais, a depender de decisão judicial prévia, com base em
laudo médico e seria aplicável somente a maiores de 21 anos.
Para
a maioria dos ministros, a medida deveria ser estendida a transgêneros, sem a
necessidade de comprovação médica, por tratar-se de medida discriminatória. Com
base no mesmo argumento votaram os ministros Alexandre de Moraes, Edson Fachin,
Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski,
Celso de Mello e a presidente, Cármen Lúcia.




