
A dificuldade de
aprendizagem e de concentração da criança em idade escolar pode estar
relacionada a causas diversas, a exemplo da perda auditiva e do Transtorno do
Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Investigar o problema para saber
como a criança escuta pode ajudar no diagnóstico e tratamento corretos.
Embora a TDAH seja
um transtorno bastante presente entre as crianças – acomete cerca de 3 % a 5 %
das crianças, mundialmente – para evitar que o distúrbio seja confundido com a
perda auditiva é indispensável que os pais ou responsáveis, ao perceberem um
déficit de rendimento da criança na escola, procurem a ajuda do pediatra. O
médico poderá avaliar as condições da criança e, caso suspeite da perda
auditiva, encaminhá-la para um otorrinolaringologista. Este especialista, por
sua vez, poderá solicitar um exame de audiometria para identificar se ela
tem algum problema auditivo.
“Um dos sintomas
da TDAH é a desatenção, tanto que a o distúrbio também recebe o nome de
Distúrbio do Déficit de Atenção (DDA). A audiometria pode ser um passo
importante para fazer um diagnóstico diferencial entre a perda auditiva e a
TDAH e deve ser realizada sempre que houver a percepção de que a criança em
idade escolar não acompanha os colegas de classe no aprendizado ou apresenta
dificuldade relacionada à fala ou alfabetização”, afirma a fonoaudióloga e
diretora da Direito de Ouvir, Andréa Varalta Abrahão, que associa o processo de
alfabetização ao entendimento dos sons da fala. “É importante saber se a
criança tem a audição normal preservada, antes de admitir outro diagnóstico”,
complementa.
É certo que as
crianças precisam escutar para que possam desenvolver a linguagem. Bebês que
não escutam podem ter dificuldades para esse aprendizado e, se a perda auditiva
acontecer em idade escolar, uma das consequências possíveis é que a criança não
consiga acompanhar e absorver os conteúdos apresentados pelos professores. Daí
a confusão, muitas vezes, entre a perda auditiva e a TDAH. “Para uma criança
que escuta mal e não identifica os sons com clareza, o conteúdo ministrado em
sala de aula pode ser desinteressante e confuso. Se ela não tem a discriminação
acústica, a memória auditiva ou a consciência fonológica, ela pode não
aprender, aprender errado ou dispersar-se”, afirma a Abrahão.
A criança com
perda auditiva também precisa se esforçar mais do que a criança ouvinte para
entender, manter a concentração ou memorizar o que foi dito. Esse gasto de
energia adicional pode fazer com que ela se canse mais rapidamente, um fator a
mais que eleva o grau de dificuldade para aprender.
OS SINAIS
Desde a primeira
infância, a criança dá sinais bem claros quando tem perda auditiva: “Uma
criança maior que três meses ignora sons ou não vira a cabeça na direção de um
som; um bebê com mais de um ano de idade não parece entender nem mesmo algumas
palavras; crianças de até três anos podem ter atraso no desenvolvimento da
fala; em idade escolar, a dificuldade de aprendizado e de concentração nas
aulas, a necessidade de assistir TV em volumes muito elevados ou até mesmo a
dificuldade para entender conversas com os familiares são os sintomas mais
recorrentes”, diz a diretora da Direito de Ouvir.
A descoberta
precoce da deficiência auditiva é indispensável para que, no caso de
intervenção, o início do tratamento seja imediato. Há uma questão que vai além
do aprendizado: uma criança que não ouve bem tende a se isolar ou pode ser
motivo de piada entre os colegas de classe. Isso pode interferir no
comportamento da criança e na relação dela com a escola. Identificar o problema
e buscar ajuda é essencial para que a criança com perda auditiva vivencie o
processo de alfabetização de forma muito similar à criança sem problemas
auditivos. Isso, claro, além de ser pré-requisito para um diagnóstico preciso,
caso o problema da desatenção não esteja relacionado à audição.



