Um servidor do INSS de Franca disse que os critérios utilizados nas perícias têm assustado até mesmo os funcionários. Muita gente sem condições de trabalhar tem recebido alta e tendo seus benefícios, como auxílio-doença, cancelados.
Segundo o servidor francano, há pessoas que de fato tentam burlar o sistema e se afastar sem motivos, mas o rigor tem resultado, segundo ele, em injustiças. “Tem gente de cadeira de rodas perdendo o seu benefício, mesmo sem qualquer condição de trabalhar”, disse, sob pedido de não ter o nome revelado.
Os números oficiais confirmam o que diz o funcionário. De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 81% dos beneficiados que passaram por perícia médica tiveram os auxílios-doença cancelados no Estado de São Paulo, durante a operação pente-fino.
Ao todo, foram realizadas 50.335 perícias, com 40.655 benefícios cancelados. Não há levantamentos regionais, portanto, não tem como saber os números apenas de Franca e região.
Em todo o Brasil, os peritos revisaram cerca de 200 mil benefícios de segurados que recebiam o auxílio-doença e há mais de dois anos não passavam por avaliação médica. Desse montante, 160 mil foram cancelados.
O chamado “pente-fino” foi aprovado pela Medida Provisória 767/17, convertida na Lei 13.457/17. Até o momento, foram enviadas mais de 435 mil cartas de convocação. Após o recebimento, o segurado tem cinco dias úteis para agendar a perícia pelo número 135. O beneficiário que não atender a convocação ou não comparecer na data agendada terá o benefício suspenso.



