Desde
que a atriz norte-americana Angelina Jolie declarou, em 2013, ter realizado um
exame que apontava um risco aumentado de desenvolver câncer de mama, muitas
mulheres vêm considerando o teste genético que detecta alterações no DNA que
podem levar ao surgimento de tumores malignos como uma espécie de
pré-diagnóstico. No caso da famosa, o resultado indicava uma mutação em genes
especificamente relacionados ao câncer de mama, elevando em 87% a probabilidade
de desenvolver a doença, o que levou Jolie a realizar uma mastectomia bilateral
preventiva, que consiste na retirada de ambos os seios sem que haja todavia a
presença de nódulos cancerígenos.
À
época, Jolie declarou que contava com um histórico familiar de câncer de mama e
que optou pela cirurgia com apoio de uma equipe médica qualificada, que a
apoiou na tomada de decisão. A hereditariedade um dos fatores de risco para
casos de câncer de mama, mas vale lembrar que a genética familiar representa um
percentual baixo de todos os diagnósticos da doença.
“Estima-se
que entre 5 e 10% dos casos de câncer têm um forte componente hereditário,
quando uma mutação transmitida de geração para geração é responsável por
aumentar as chances de uma pessoa desenvolver a doença. Vale ressaltar,
contudo, que exames como o realizado por Angelina Jolie indicam uma alteração
que aumenta à predisposição ao câncer de mama, mas isso não é um diagnóstico da
doença em si. É um indicativo de probabilidade aumentada, que pode ou não se
concretizar”, explica Raphael Parmigiani, biomédico e sócio-fundador do
Idengene, laboratório de análises especializado em testes genéticos para ajudar
no tratamento e prevenção de doenças.
Segundo
o especialista, os testes genéticos são indicados apenas quando há um alto
risco de mutações associadas ao histórico familiar de câncer de mama em
parentes próximos (mãe e/ou irmã) e que tenham apresentado tumores com idade
inferior aos 50 anos. Para se ter uma ideia, em 2017, o Brasil somou 60 mil
novos casos de câncer, de mama entre mulheres. “Isso quer dizer que de
toda a população
feminina diagnosticadas com a condição neste ano, em média seis mil contam com
um proponente genético importante que poderia ser identificado de maneira
precoce diante dos resultados dos estudos de DNA e, eventualmente, até evitado
a partir de cirurgia preventiva”, pontua o Dr. Parmigiani.




