Um estudo da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal do
Maranhão apontou evidências de que a microcefalia já era uma doença em
crescimento no Brasil antes do surto do vírus da zika em 2015.
Ao analisar bebês nascidos em Ribeirão Preto e São Luís (MA) em 2010, os
pesquisadores levantaram indícios de que a malformação craniana também está
associada a fatores como o consumo de álcool e de cigarro na gravidez e que
parte dos casos pode não ter sido notificada pelas autoridades brasileiras nos últimos
anos.
Em
nota, o Ministério da Saúde informou que, antes do surto de zika, os registros
de microcefalia já eram feitos pelo Sistema de Informações Sobre Nascidos Vivos
(SINASC), mas que, até 2014, referiam-se apenas a casos graves, diferente do padrão
adotado pela pesquisa. “Os autores apresentaram
dados de microcefalia em geral, incluindo casos leves e graves, com perímetro
cefálico abaixo de -2 desvios-padrão abaixo da média para idade gestacional e
sexo ao nascer. Nesse sentido, é possível supor que as estimativas anteriores
de microcefalia estivessem subestimadas, uma vez que não incluíam casos com
perímetro cefálico entre -2 e -3 desvios-padrão”, comunicou.
Entre 2000 e 2017, de acordo com dados do Sinasc enviados pelo
ministério, foram registrados no país 6.694 bebês nascidos com microcefalia,
dos quais 4.224 se concentraram entre 2015 e 2017.




