Há 30 anos, o otorrinolaringologista Edmir Américo Lourenço, da
Faculdade de Medicina de Jundiaí, no interior paulista, deu início à aplicação
de
vacinas terapêuticas feitas por ele mesmo em indivíduos com rinite alérgica.
Chamada de imunoterapia, a técnica surtia efeitos impressionantes. Mas como
provar sua eficácia?
Em 2005, ele começou a recrutar pacientes e
submetê-los a um protocolo-padrão, como mandam as boas práticas da ciência. Dez
anos depois, os resultados demonstram o que Lourenço suspeitava: 79% dos voluntários viram as crises de espirro, coriza e coceira
sumirem de vez.
Para o estudo, publicado no periódico International
Archives of Otorhinolaryngology, o médico selecionou 281 pacientes entre 3 e 69
anos — além de rinite alérgica, alguns sofriam de asma. Primeiro, submeteu essa
gente a um teste de pele que identifica a quais componentes o indivíduo é
sensível. Foram testados ácaro, fungo, pelo de animais, pólen e penas.
A partir dos laudos, o médico elaborou uma vacina
para cada paciente. Está aí um conceito-chave da imunoterapia: o tratamento é
personalizado, baseado em alérgenos específicos. “A ideia é dessensibilizar o
paciente até ele ficar sem sintomas”, explica Lourenço.




