Quando seu filho está triste ou
chateado, você costuma alegrá-lo com um sorvete, um hambúrguer ou uma porção de
batatas fritas? Saiba que esse hábito, aparentemente inofensivo, pode ser mais
prejudicial do que você imagina.
Um estudo da Noruega descobriu que
crianças em idade escolar que são facilmente consoladas por comida tinham pais
com maior probabilidade de acalmá-los com comida. Ou seja, os adultos podem
estar, sem querer, incentivando esse hábito. “Se as crianças são
facilmente acalmadas pela comida, estamos mais propensas a alimentá-las porque
elas se sentem melhor, o que, por sua vez, nos faz sentir melhor. Se estamos
acalmando crianças com comida, não é surpreendente que, como crianças mais
velhas e jovens adultos, eles seriam mais propensos a comer quando estão se
sentindo mal”, explicou Jaime Taylor, especialista no Hospital
Beaumont
A nutricionista infantil
Karine Costa Durães, especialista em pediatria pelo Instituto da Criança da
Faculdade de Medicina da USP, explica que a criança também imita os hábitos dos
adultos quanto à alimentação. “Se ela está irritada e ganha comida para ficar
calma, o recado que ela recebe é que pode acalmar as angústias com a
alimentação. E isso fica, de certa forma, memorizado”, disse. Assim,
aumentam as chances de ela recorrer à comida para continuar resolvendo suas
questões e frustrações.
Além do fato de se tornarem adultos que
buscam o consolo para os seus problemas na comida, o pesquisador alerta para a
qualidade do alimento. “Há risco envolvido porque, quando estamos comendo
emocionalmente, com mais frequência vamos àqueles alimentos com calorias
densas, que talvez não comamos o tempo todo, ou que nos façam sentir bem”,
disse. Portanto, entre as consequências, estão o ganho de peso e distúrbios
alimentares.




