Janaína Leão
Psicóloga, Arte Terapeuta e Fotógrafa
Especial para o Jornal da
Franca
Assim que soube do acidente de Mariana me deu vontade de ajudar, seja com a minha formação ou com o trabalho braçal mesmo. Fiquei compadecida, assim como muitas pessoas do Brasil. Minha cidade se organizou em um grupo chamado Franca Ajuda Mariana e através deste grupo consegui algumas informações. Na expectativa de que iria sair um ônibus de Franca até o distrito de Barra Longa, me preparei física e emocionalmente para dar apoio. Porém, o ônibus não saiu e decidi ir sozinha. Viajei de Franca a Belo Horizonte, de Belo Horizonte até Mariana e de Mariana até Barra Longa – a 60 km do local onde a barragem da Samarco rompeu.
Durante a viagem refleti sobre o que me esperava. Nunca estive em um cenário de catástrofe e confesso: aquilo superou todas as minhas expectativas. Logo que saímos de Mariana pude observar a natureza exuberante da qual Minas Gerais foi abençoada, mas os rios… foi como um soco no estômago, um nó na garganta… Eu sabia que aquela cor que eu via em todos os rios que passaram pela janela daquele ônibus era de lama – lama tóxica. Pude observar muitas casas à venda nos municípios que passamos: as pessoas estão com medo, estão mudando de cidade, muita gente abandonou tudo, pois já não há formas de viver da colheita e nem da pecuária – o solo está contaminado e não existe nenhum tipo de informação aos ribeirinhos de qual a proporção da toxidade. Perto de Acaiaca, já a uns 10 km de Barra Longa, percebi muitas rocinhas abandonadas com lama até quase o telhado. Houve lugares onde ela não foi retirada, pois o local é de risco e não há mais nada o que fazer. Foi tudo perdido: casa, plantações, animais.




