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Perigo próximo: Bullying também é uma realidade nas escolas de Franca

As crianças e adolescentes comentam casos com naturalidade: em Goiânia jovem matou dois colegas

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Quem ficou horrorizado com o assassinato de dois colegas de classe por um adolescente de 14 anos, em Goiânia, pode achar que a situação está distante da realidade das escolas de Franca. Mas não está. O bullying está presente em unidades públicas e particulares da cidade e colocando jovens em risco de tomar atitudes extremas.

Em uma conversa rápida com crianças e adolescentes fica claro que este tipo de assédio é uma realidade que ocorre com muita frequência. Uma aluna de escola particular de Franca consultada pela reportagem faz relatos surpreendentes. Aos 11 anos, afirma que já sofreu perseguição por ser negra e que seus pais tiveram de intervir.

“Eu estava ficando triste e me isolando. Foi quando meus pais perceberam e contei tudo. Minha mãe foi na escola e conversou com minha professora e diretora e exigiu que isso parasse, pois iria chamar a polícia. Só a partir daí o bullying parou”, disse.

Um outro jovem, hoje com 16 anos e aluno de escola pública da região da Estação, também passou maus pedaços. Por ser tímido demais, era alvo de brincadeiras que chegavam até a pequenas agressões físicas.

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“Muitas vezes eu pensei em armar uma situação e machucar os meninos que me perseguiam. Eu tinha 14 anos na época. Mas, graças a Deus, falei com meus pais e tive todo o apoio. Eles foram à escola e falaram também com os pais dos alunos que me provocavam e tudo foi se resolvendo. Hoje somos até amigos”, afirmou.

Segundo estudos, a aparência física é um dos principais motivos de bullying nas escolas, um problema considerado de saúde pública. O número de casos de jovens submetidos a situações de humilhação vem crescendo, de acordo com pesquisa do IBGEsobre a saúde do estudante brasileiro.

Quase a metade dos alunos entrevistados em uma recente pesquisa (46,6%) diz que já sofreu algum tipo de bullying e se sentiu humilhado por colegas da escola. A maioria (39,2%) afirmou que se sentiu humilhado às vezes ou raramente e 7,4% disseram que essa humilhação acontece com frequência e entre os principais motivos está a aparência.

A primeira atitude, como fizeram os alunos citados nessa matéria, é denunciar aos pais e aos professores o que tem acontecido. O silêncio pode fazer com que os agressores se sintam protegidos. E o ideal é que isso aconteça o quanto antes, para que outras tragédias e traumas futuros sejam evitados.

Cesar Colleti

O que acontece e como acontece em Franca e região